Editorial
Para se preocupar

Embora a BRF – leia-se Sadia – não tenha lá uma relação das mais estreitas com a comunidade de Toledo, é inegável sua importância para a economia da cidade. E não de hoje! A empresa é a maior geradora de empregos diretos e indiretos, movimenta uma engrenagem econômica e social gigantesca e complexa, cujos reflexos positivos são amplamente sentidos graças aos impostos gerados e, claro, a tudo que gira em seu redor. Por isso a notícia de suspensão por parte da União Europeia da compra de carne em 20 unidades do Brasil, 12 da BRF, é sim para se preocupar, ainda mais quando a empresa anunciou que dará férias coletivas a mais de 2 mil trabalhadores.

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Toledo e Região, que representa os mais de 6 mil empregados da unidade local da BRF, recebeu a notícia sobre a ‘pausa’ entre 2 a 31 de julho. Não se tem notícia de algo semelhante ao longo da história da unidade, a qual se confunde com a própria história de Toledo, haja vista, como já registrado, sua importância dentro do contexto.

E não apenas pelos trabalhadores que entrarão em férias, a notícia preocupa pelo efeito cascata que a decisão trará, afinal, com menos trabalhadores a produção será igualmente menor, assim como também a terminação junto aos produtores. A redução será proporcional em todas as pontas dessa linha de produção diária e quase ininterrupta. Os efeitos não serão sentidos somente agora, até porque quando esta gigante para, demora-se para perceber o tamanho do estrago, assim como no sentido contrário, qualquer movimento seu é de extrema intensidade.

Os efeitos serão sentidos ainda em outros setores, como de transporte, com a consequente redução no número de caminhões circulando, menos fretes, menos combustível sendo vendido, menos refeições sendo servidas nos estabelecimentos ao redor da unidade da BRF, enfim, há uma série de componentes não explicitamente demonstrados nesta nota simples emitida pela direção de Recursos Humanos da empresa, mas de uma complexidade capaz de tirar o sono de milhares de pessoas. E não apenas durante estas férias coletivas.