Editorial
Patos!

“No Brasil temos 5 bancos, 6 empreiteiras, uma petrolífera e 200 milhões de patos”. A frase é do ministro da Economia Paulo Guedes, durante entrevista recente à Globonews, onde deixou clara sua posição firme no sentido do país passar por uma completa reforma e não apenas pela da Previdência, aliás, travada numa Câmara Federal ainda atrelada ao país anacrônico. As palavras do ministro foram duras, porém, necessárias diante da passividade do cidadão brasileiro diante de tantos problemas a serem resolvidos com a máxima urgência.

Não dá mais, e é preciso concordar com Paulo Guedes, para se viver num país onde um trabalhador custa quase 100% daquilo que produz, onde há taxação sobre o Imposto da Renda – uma exclusividade fiscal tupiniquim – ou onde a balança da desigualdade segue pendendo graças às décadas de uma política econômica pautada no idealismo e não no pragmatismo necessário do livre mercado.

Enquanto isso outros integrantes do Governo Federal colaboram para criar esse clima de incerteza total diante das declarações apressadas, oportunistas e irresponsáveis de quem ainda parece não ter aprendido o verdadeiro sentido dos cargos ocupados. Quando o Chefe da Casa Civil troca mensagens por WhtasApp com caminhoneiros e confirma ter dado “uma trava” na política de preços da Petrobras é porque se passou da hora de fazer uma pausa para se rediscutir os rumos de um governo que até parece saber onde quer chegar, só não sabe como nem com quem.

Essa postura de Onyx Lorenzoni & companhia bela apenas reforçam a imagem de um presidente aparentemente perdido, como tem sido a figura do capitão Jair Bolsonaro, que ainda não tem a tropa sob seu comando, a deixando nas mãos do Sargento Garcia, o folclórico personagem das histórias do Zorro. Só que ao contrário das pitorescas aventuras de capa e espada, no mundo real os destrambelhos da turma do Planalto e a voracidade do Congresso estão travando o Brasil de tal forma que restaram apenas os tais 200 milhões de patos aos quais o ministro se referiu. E com a máxima razão!