Editorial
Pequeno apenas no nome

Na edição desta quarta-feira o JORNAL DO OESTE traz um pouco sobre o trabalho desenvolvido por voluntários do projeto Pequeno Amor, cujo único objetivo é minimizar a falta de estrutura verificada quase diariamente na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Bom Jesus que, além, de Toledo, atende outros municípios da região e até do Mato Grosso do Sul e Paraguai. Criaturinhas que não podem pagar pela omissão do poder público, pelas irresponsabilidades cometidas no passado na gestão da unidade hospitalar ou ainda pela falta de planejamento de quem não prevê o crescimento de uma cidade e mantém até hoje basicamente a mesma estrutura de saúde pública de 50 anos atrás.

Este trabalho é feito de maneira apaixonada, embora a paixão de alguns não seja tão intensa assim. Não há envolvimento com o hospital ou com o poder público, numa demonstração muito clara de que as arrecadações – inclusive em dinheiro – servem apenas para a manutenção de uma unidade onde as equipes se dedicam de maneira tão intensa quanto os que lutam para melhorar sua situação longe dos aparelhos ultrapassados e muitas vezes sem funcionar. Equipes cuja alegria e emoção estão estampadas nos rostos apreensivos pelas condições inadequadas nas quais trabalham diariamente e de maneira ininterrupta.

O médico da UTI Neonatal do Bom Jesus João Pedro Pontes Câmara e a voluntária Cláudia Justus personificam o verdadeiro trabalho desprendido e com o próximo como alvo. Estes dois são citados como forma de homenagear o trabalho de dezenas de pessoas que diariamente se esforçam para manter a unidade funcionando em condições mínimas. Pessoas que se somam a outras tantas que anonimamente fazem doações, oferecem serviços de maneira gratuita, compram rifas, etc, tudo em nome de um propósito muito maior que qualquer nome: o de salvar vidas em situação de extremo risco.

O projeto Pequeno Amor, - cujo único acesso é através de sua página no Facebook – é pequeno apenas no nome, pois sua grandiosidade não pode ser mensurada haja vista o alcance muito além dos aparelhos que diariamente soam como um alerta da necessidade de manter viva a esperança numa humanidade que ainda não sabe bem a que veio ao mundo.