Editorial
Roendo pelas beiradas

O governador eleito do Paraná Ratinho Junior vem roendo pelas beiradas, para aproveitar o imaginário de seu apelido, e mandando um bom recado a quem estava acostumado com o ritmo da política paranaense nos últimos anos. O primeiro sinal foi a tranquilidade em montar seu secretariado, que consegue equilibrar bem o aspecto técnico com o político, importante dentro da estrutura vigente no país quando o assunto é a administração pública. Sem pressa o governador foi colocando as peças no tabuleiro que melhor lhe convém para largar a todo vapor e mostrar que a vitória no primeiro turno não foi apenas um sinal de descontentamento com o modelo que aí estava, mas sim a esperança de uma gestão ainda mais moderna e eficiente, capaz de alavancar o Paraná finalmente à condição de ator principal e não mais um coadjuvante de luxo de outros estados cuja bancarrota há tempos desencoraja investidores e amedronta o mercado – sempre volátil – financeiro.

Ratinho Junior também não vem tendo pressa em indicar os principais dirigentes das regionais, outro sinal que indica mudança profunda. Não apenas nos nomes, mas na própria forma de gerenciar as coisas do Estado fora da capital. Há o interesse em montar grandes estruturas administrativas e não mais precisar o contribuinte perambulando pelas cidades atrás dos serviços públicos no âmbito estadual. A ideia seria criar centros administrativos que congreguem num mesmo espaço todas ou pelo menos a maioria da estrutura regional do Governo do Paraná.

Há ainda que se destacar a paciência com a qual o futuro governador vem tratando com os deputados estaduais eleitos. Reuniões e mais reuniões estão acontecendo e ao menos até o momento o sentimento é de respeito e diálogo entre Executivo e Legislativo, algo benéfico para todos, afinal, quando os dois poderes conseguem agir de maneira responsável e não apenas movidos pelos interesses ideológicos, é um indicativo de um futuro ainda melhor para uma gestão que receberá a gestão com as contas em dia e dinheiro em caixa já na largada, algo que há tempos não se via na autofágica política paranaense.