Editorial
Sorte ao novo presidente

Antonio de Freitas (PSL), o popular ‘Zoio’, foi eleito o presidente da Câmara de Toledo para o biênio 2019/2020, quebrando uma tradição de alinhamento entre o presidente do Legislativo e o comando do Executivo, no caso o prefeito. Mais que isso, a surpreendente eleição do popularesco vereador para comandar a Casa de Leis é recheada de significados intrínsecos que precisam ser analisados com cautela por quem é de direito. A começar pelo estilo folclórico do presidente eleito, uma marca muito pessoal e que o levou a ocupar uma cadeira na Câmara, mas que a partir de agora será necessária ficar em segundo plano porque ele será a imagem do Legislativo, embora para muitos essa imagem tenha acabado de vez nesta legislatura diante do resultado da eleição.

Evidente que ‘Zoio’ não poderá conduzir as sessões da Câmara como conduz seu mandato, até porque ele precisa prestar contas à sociedade e não apenas a quem depositou seu voto de confiança no trabalho como vereador. Neste sentido os demais integrantes da Mesa também serão fundamentais na condução das ações dentro do Legislativo, sob pena de um descrédito ainda maior do trabalho dos vereadores, haja vista um movimento cada dia mais intenso no sentido de se retomar a discussão em torno da quantidade de vagas – hoje em 19.

O novo presidente tem um gigantesco desafio pela frente, pois estará no comando da Câmara num ano de disputa eleitoral, justamente a época mais crítica diante das animosidades típicas da eleição municipal. Será preciso não apenas sabedoria, mas equilíbrio e as primeiras palavras do vereador Antonio de Freitas tão logo soube do resultado não demonstraram isso. Desabafou com a impulsividade que lhe é peculiar. “Nesta casa deputado não manda. Quem manda é o povo”, disparou sem meias palavras, embora não tenha citado nenhum nome de quem seria este deputado.

Uma relação conflitante entre os dois poderes no âmbito municipal pode ser desastrosa e para isso basta observar o passado recente, quando não havia um diálogo mais amistoso entre prefeito e presidente da Câmara. Agora é esperar para ver como será a condução do Legislativo por uma figura até hoje apenas caricata e que agora ostenta o cargo de segunda maior importância dentro da esfera pública. Sorte ao novo presidente. Muita sorte!