Editorial
Uma caneta, uma simples caneta

Há momentos na vida pública onde o exemplo revela muito mais que as palavras proferidas em meio à emoção ou ao ambiente no qual o agente público se insere. De tudo que aconteceu no Brasil na terça-feira, primeiro dia deste 2019 carregado de esperança de Norte a Sul, uma cena resumiu bem este novo momento pelo qual passa o Brasil, dando a impressão de serem novos tempos. O presidente Jair Bolsonaro assinou, sem o menor constrangimento, todos os documentos oficiais com uma boa e velha caneta Bic, aquela mesma usada por milhões de pessoas todos os dias, inclusive pelos profissionais do JORNAL DO OESTE. Pode ter sido apenas uma coincidência, entretanto, é uma cena carregada de simbolismo e que aproxima o presidente das pessoas comuns, algo que Bolsonaro tem insistido em pregar.

Uma caneta, uma simples caneta que demonstra o desejo de mudança, a vontade em tornar as coisas menos complicadas num país onde historicamente a burocracia imperou e onde os jeitinhos e privilégios foram sendo arrumados para manter um sistema desequilibrado e injusto funcionando para beneficiar sempre os mesmos. O recado foi muito claro aos ministros e aos brasileiros: o combate à corrupção será uma marca deste governo que pretende ser simples e direto, como foi aliás o discurso de um presidente avesso aos holofotes, mas capaz de arregimentar uma verdadeira tropa de técnicos altamente qualificados em torno de si, em torno de uma simples caneta Bic.

As primeiras medidas do novo governo sinalizam neste sentido também e a chiadeira geral provocada após o discurso do novo presidente apenas reforça o quanto este vem acertando até o momento. Não que Bolsonaro não esteja sujeito a falhas. Como ser humano – e brasileiro – errará muito no exercício do mandato, entretanto, certamente o fará não por maldade, mas pela vontade exagerada em acertar e que muitas vezes torna a tomada de decisões um exercício pesado demais para quem não está acostumado a enfrentar tais circunstâncias.

O Brasil respira novos tempos e oxalá os dias sejam simples como a caneta com a qual Jair Bolsonaro iniciou ser governo. Simples e direto, tão fácil de compreender quanto o discurso em Libras da primeira-dama Michele, outro recado muito claro de como se comporta o coração do capitão.