Editorial
Histórias que valem a pena

Na maioria dos lugares onde alguém do JORNAL DO OESTE vá ou nas visitas recebidas na sede, quase sempre uma pergunta surge: até quando insistir no jornal impresso? A resposta é quase sempre vaga, incerta, assim como incerto é o futuro de um veículo de comunicação que vem sobrevivendo, suportando as inúmeras pressões, sejam elas de ordem econômica, política ou simplesmente pelo fato de existir num mundo onde a tecnologia domina. Mas quando é possível contar histórias como as que hoje estão nesta edição é fácil compreender que, sim, ainda existe espaço para o impresso. Sim, ainda existe esperança!

As histórias em questão envolvem três amigas: Gleyceane, Alessandra e Jessica. Acreditem, elas casaram no mesmo dia e recentemente receberam a notícia de que estão grávidas. O Casamento Coletivo oportunizado pela Secretaria Municipal de Políticas Públicas para Mulheres permitiu que as amigas pudessem realizar o primeiro desejo, de casarem juntas no mesmo dia. O casamento foi lindo. A festa foi animada. Depois de toda a festividade, eles sabiam que a vida seria diferente, afinal, selaram o amor. Contudo, não contavam que o destino tinha uma surpresinha para os casais: bebês a caminho. Ah, esse destino tão incerto e que de vez em quando reserva surpresas como esta gravidez tripla.

Um destino que, mesmo com tanta tecnologia disponível, ainda assim segue sendo indeterminado, impossível de se prever, pois muitas vezes nem tudo depende da melhor internet, do melhor computador ou do celular mais moderno. Quando se trata do ser humano, a intuição, o sentimento, o amor superar barreiras até então intransponíveis, como segue fazendo o JORNAL DO OESTE ao ainda acreditar no ser humano e nas suas mais incríveis histórias.

As crianças deverão fortalecer os laços de amizade. É bem provável que todos irão compartilhar as experiências de quem tem bebê em casa e os encontros dos finais de semana tenham como assunto principal o cansaço das noites de sono, as trocas de fraldas, as mamadeiras, os primeiros dentinhos. Mas é uma fase que será vivida por todos praticamente ao mesmo tempo. Uma fase que não tem data e hora para acabar porque essa é uma decisão que compete apenas ao destino e ele é quem decide quando as jornadas chegarão ao fim ou então recomeçarão sem data para acabar.

25 anos dedicados à saúde

Em se tratando de saúde pública num país continental como o Brasil, nunca é fácil encontrar soluções que possam, ao mesmo tempo, atender às demandas dos pacientes dentro do orçamento possível para as gestões municipais, cada vez mais espremidas diante do descaso do Governo Federal e também do Governo do Estado com a falta de repasse ou a transferência de serviços que não seriam de competência dos prefeitos. Diante deste cenário, a criação do Consórcio Intermunicipal de Saúde Costa Oeste do Paraná (Ciscopar) foi uma ousadia.

A ousadia deu certo e esta semana o Ciscopar completa 25 anos de atuação, de luta para melhorar os atendimentos, ofertar mais especialidades, ampliar os serviços e, com isso, ajudar a salvar vidas. Não resta dúvida que, não fosse a união de esforços em torno da saúde dessa forma, certamente os municípios não iriam ‘sobreviver’ para atender a demanda no setor. Embora de vez em quando surjam críticas e algumas crises aconteçam, ainda assim o saldo na balança é imensamente mais positivo que negativo.

Muitas vezes a impressão que se tem é de uma torcida contra a iniciativa a fim de ver apenas o caos se instalar, pois o Ciscopar em geral tem prestado um serviço de excelência à população dos 18 municípios por ele atendida.

Durante estes 25 anos de atuação, Consórcio enfrentou diversos desafios para manter a qualidade nos atendimentos, até pelo próprio crescimento da sociedade sem, como já citado, haver a contrapartida por parte de quem é de direito. Hoje o Ciscopar atende aproximadamente 350 mil pessoas, vidas que dependem de sua manutenção, de sua qualidade, da dedicação dos seus profissionais, da ampliação do atendimento e da melhora na infraestrutura.

Quem já pôde acompanhar mais de perto as ações desenvolvidas pelo Consórcio certamente não tem do que reclamar, pois é inegável sua contribuição para a melhoria na qualidade de vida destas pessoas atendidas. Evidente que, por se tratar de um serviço público, em muitas a burocracia, a influência política e até o descaso de alguns servidores interfere no trabalho, entretanto, jamais se pode afirmar que o Ciscopar é usado apenas como plataforma política, como trampolim para interesses pessoais ou de um determinado grupo, haja vista que ao longo destes 25 anos já foi comandado por prefeitos e gestores ligados a todo tipo de ideologia sem que isso tenha interrompido os milhares de atendimentos efetuados, prejudicado esses 25 anos dedicados à saúde.

Em altos decibéis

Há algum tempo o JORNAL DO OESTE vem recebendo constantes reclamações sobre o abuso cometido por lojas – especialmente no Centro – no uso de caixas de som de maneira indiscriminada e em plena luz do dia. Embora o maior problema esteja localizado no Centro, em outros bairros também acontece. Não há o que fazer a não ser manter uma fiscalização rigorosa sobre o comércio, algo que infelizmente parece não estar sendo o caso, haja vista nos últimos dias as reclamações serem bem mais frequentes, com o abuso chegando às portas da Biblio0teca Pública, ou seja, um local onde as pessoas geralmente vão para ficar em paz. Ao menos de espírito!

O mesmo dilema pode ser aplicado para os vendedores ambulantes, que disputam espaço com caixas de som pelas ruas de Toledo e que vendem de tudo um pouco, de produtos trazidos do Paraguai, a redes do Nordeste, passando por móveis e plantas para os jardins, bem como bilhetes da sorte e até livros, numa democracia ruidosa, assim como as das caixas de som, estas estridentes em altos decibéis.

Apelar ao bom senso de alguns lojistas seria utópico, afinal, numa sociedade como a brasileira, bom senso, respeito e diálogo são palavras pouco empregadas pela maioria das pessoas. Porém, ao utilizar de tais ferramentas, o lojista não está desrespeitando seus próprios clientes, mas toda a sociedade que precisa suportar o enredo musical de gosto duvidoso na maioria das vezes ou então locutores com piadas de chorar. E não de rir!

Há ainda quem apela aos carros de som, que também voltaram a perambular sem o menor constrangimento pelas ruas e avenidas, atrapalhando o trânsito e os ouvidos de quem não está interessado nas tais ‘ofertas’, nos ‘preços especiais’, na ‘semana torra-torra’ ou em qualquer outro atrativo criado para ‘fisgar’ o cliente.

É preciso que o setor responsável dentro da Prefeitura de Toledo haja. E com rigor contra quem descumpre sem o menor pudor a legislação em vigor, a qual é bastante específica quanto ao limite e o local onde esse tipo de ‘propaganda’ pode ser utilizada. Enquanto isso não acontece o jeito é comprar protetores auriculares e torcer para não ser atropelado por algum vendedor ambulante ou tropeçar num caixa de som atirada no meio da calçada.

A importância de amamentar

O mês de agosto está sendo dedicado ao incentivo da amamentação, bem como orientações de saúde para as mamães. E não há nada mais tenro que a relação entre mães e filhos durante o ato de amamentar que não se trata apenas do alimento físico, mas de estreitar relações, laços, sentimentos destinados apenas às mulheres. E esses sentimentos precisam ser respeitados pelos homens que ainda não compreenderam que quando uma mulher retira seu seio para alimentar seu bebê não para se expor ou para se insinuar para alguém, mas sim porque em determinados momentos não existe alternativa a não ser proceder dessa forma.

Infelizmente nem todos – os homens – compreendem este ato de amor, de compaixão e de entrega por parte de quem amamenta. Seio não é um objeto, um artefato qualquer, um brinquedo para ser observado sem o devido respeito. Amamentar em público é um direito de qualquer mulher e deve ser respeitado, pois quem age ao contrário está, de certa forma, assediando e inibindo o ato de ser mãe por completo, pois não existe maior entrega que dar parte de sua própria energia a um ser ainda indefeso e cuja sobrevivência depende de sua mãe não apenas produzir o leite materno, mas também enfrentar essa irracionalidade tipicamente brasileira, forjada sobre uma cultura machista e que precisa ser modificada.

Não se trata de exagero algum, pois cenas constrangedoras de mães amamentando e tendo seus seios observados como fossem uma carniça por predadores famintos é comum. Basta conversar com qualquer mulher que já tenha amamentado em público para descobrir o sentimento de repulsa, de nojo provocado quando um homem fica, em alguns casos literalmente, ‘babando’. E sem o menor pudor!

A importância de amamentar não está apenas no ato em si, mas de tudo que o envolve e para essa mágica acontecer é preciso uma sintonia que apenas mãe e filho conseguem reconhecer, mas que pode ser facilmente quebrada pelo desencanto em ter uma parte tão íntima de seu corpo sendo olhada como fosse um animal numa jaula qualquer.

A verdadeira inclusão social

Quem passa com um olhar mais atento pelas ruas de Toledo certamente percebeu uma ligeira transformação em sua paisagem urbana, com verdadeiros acampamentos a céu aberto espalhados em alguns pontos da cidade, em especial próximos ao Ginásio de Esportes Alcides Pan, ao Terminal Rodoviário e ao Terminal Urbano. Índios, aristas e moradores de rua montam suas tendas ou simplesmente estendem seus cobertores onde é possível em busca de um local para passar a noite. É de doer na alma as cenas que antes eram vistas apenas em centros urbanos maiores, mas que agora são facilmente encontradas nas esquinas, nos semáforos e nas praças.

Aí cabe uma pergunta: exceção àqueles que realmente querem permanecer nesta vida maluca e arriscada das ruas, consumindo álcool e outros tipos de drogas, o que está sendo feito para tentar melhorar a vida de quem busca uma saída?

Não se trata de uma resposta fácil, muito menos de solução simples para um problema crônico e que não acontece apenas no Brasil, afinal, quando um país passa por momentos econômicos delicados, é notória a pressão social que ocorre. Mas num país onde o paternalismo governamental é histórico e gigantesco, torna-se ainda pior buscar uma solução, afinal, mais fácil é dar o peixe que ensinar a pescar, como bem diz o ditado popular.

E é justamente este o ponto que precisa começar a ser rediscutido nas políticas de assistência social no país, pois o modelo que aí está parece não servir mais. É um modelo pautado na benevolência total, quase sem exigir nada em troca. Péssimo sob todos os ângulos, afinal, estas pessoas sim precisam de ajuda, mas também devem contribuir para recebê-la. É a velha máxima dos direitos e deveres. Uma sociedade não pode ser construída apenas sobre os pilares dos direitos, pois se corre um sério risco de desabamento social, como ocorre no Brasil. E não de hoje!

A verdadeira inclusão social não passa apenas pela benevolência de programas sociais que distribuem de tudo um pouco às famílias mais necessitadas ou pelas campanhas de doação de roupas ou alimentos. A verdadeira inclusão social deveria levar em conta também a necessidade da contrapartida em buscar o conhecimento, a capacitação para se conseguir um emprego digno e sobreviver de seu próprio esforço.

Aquecendo os motores

Em provas de automobilismo existe a chamada volta de apresentação ou de aquecimento, quando os pilotos checam seus equipamentos para ver se não tem nada errado na hora de acelerar para valer. A comparação pode ser feita com o governo de Ratinho Junior no Paraná. Escalado como titular após a eleição de outubro, o governador parece ter usado o primeiro semestre para aquecer os motores de sua gestão que, até pouco tempo, ainda não tinha mostrado a que veio.

Embora algumas decisões possam não agradar – normal em qualquer governo mundo afora – em geral a impressão é bastante positiva da gestão. Não há até o momento notícias de escândalos, de loucuras administrativas, de tentativa de reinventar a roda. Até o momento a gestão Ratinho Junior tem se mostrado na maior parte do tempo fiel ao discurso pregado durante a disputa eleitoral e que o levou à vitória ainda no primeiro turno.

Na última sexta-feira, quando veio a Toledo anunciar quase R$ 24 milhões de recursos liberados para os municípios da região, Ratinho Junior deu uma demonstração de força política e de que aos poucos começa a colocar em prática suas próprias ações, oferecendo ao paranaense um desenho mais claro sobre como será a figura do governador à frente do Palácio Iguaçu. Deixou claro que não fez nada antes porque simplesmente não dava. Não se escondeu atrás de desculpas esfarrapadas ou tentou enrolar. Respondeu que não havia dinheiro no bolso. Simples assim.

No campo político, entretanto, o governador desde o início entrou com o pé no fundo do acelerador. Ditou o ritmo de votações importantes na Assembleia Legislativa e tem conseguido, mesmo até agora não adotado medidas mais impactantes, controlar de maneira muito tranquila os eventuais focos de resistência. Esse é um ponto muito favorável para que a partir de agora o Governo do Estado passe a ocupar com mais frequência o noticiário com notícias positivas e que efetivamente transformem a realidade dos municípios paranaenses, em especial os menores, como aconteceu na semana passada quando dezenas de prefeitos assinaram convênios que farão muita diferença para a melhoria da qualidade de vida dos paranaenses.

Sem brincadeira

Há muitos anos a estrutura de saúde em Toledo permaneceu inalterada. Um pouco pela não necessidade de ampliação, o desinteresse da própria classe médica, a falta de concorrência, o não enxergar além do próprio quintal são alguns dos motivos que podem ser apontados sem o menor medo de errar para tanto tempo de inércia, ao contrário de outros municípios onde o setor não apenas cresceu, mas também se especializou, atraiu profissionais e investimentos e, claro, aumentou a concorrência. Cascavel e Marechal Cândido Rondon são os dois bons exemplos da transformação sofrida nos últimos anos.

Aos poucos Toledo foi percebendo essa necessidade e de uns tempos para cá investimentos estão sendo feitos pensando em descontar o tempo perdido.

A chegada do campus da Universidade Federal do Paraná com o curso de Medicina pode ser apontado como o momento decisivo para esta virada de chave, afinal, quando estes estudantes estiverem concluindo o curso precisarão praticar e se especializar, portanto, com a estrutura que havia isso seria praticamente impossível, ainda mais com a crise vivida nas duas maiores unidades hospitalares da cidade, o Bom Jesus e o HCO.

O primeiro começou a se reerguer quando a Hoesp assumiu sua direção, mudou procedimentos, estabeleceu novos parâmetros e recebeu o devido apoio político. A Unimed tratou de estabelecer um contrato com o HCO para mudar sua rotina e o desfecho trágico que parecia próximo.

A direção do Campagnolo resolveu construir uma unidade mais ampla e moderna e, nesta sexta-feira, um novo marco se estabeleceu com o lançamento do complexo de saúde do grupo Sempre Vida, de Marechal Cândido Rondon, junto ao Biopark. Os dois, juntos, certamente deverão modificar dentro de alguns anos este cenário outrora aparentemente abandonado para torná-lo moderno, ousado e à altura da importância de uma cidade como Toledo, que representa tanto em termos econômicos e sociais no cenário estadual e que não pode mais ficar à mercê de iniciativas pontuais ou então refém do atendimento médico em outras cidades.

Com o lançamento deste novo complexo, tanto os representantes do Biopark como do Sempre Vida dão ainda uma demonstração que não estão para brincadeira, o que certamente levará outras organizações a seguirem caminho idêntico para não ficarem ainda mais para trás.

Santo de casa...

O Diário Oficial da União publicou a Medida Provisória assinada pelo presidente Jair Bolsonaro que permite a empresas de capital aberto a publicação de balanços no site da Comissão de Valores Mobiliários ou do próprio Diário Oficial, em vez de em jornais impressos. É mais uma vez o presidente dando mostra de seu descontentamento com a imprensa, dessa vez a de papel, cujas opiniões nem sempre são favoráveis ao atual governo que, embora possa ter acertos no varejo, comete erros no atacado.

Dessa vez Bolsonaro não fez questão de esconder sua opinião e, em dois discursos, ressaltou que a Medida Provisória era uma retaliação à “imprensa de

papel” e citou especificamente o jornal Valor Econômico. “No dia de ontem (terça) eu retribuí parte daquilo que grande parte da mídia me atacou. Assinei uma Medida Provisória fazendo com que os empresários, que gastavam milhões de reais para publicar obrigatoriamente, por força de lei, seus balancetes nos jornais, agora podem fazer no Diário Oficial da União, a custo

zero. (...) Eu espero que o Valor Econômico sobreviva à Medida Provisória”.

Esquece, entretanto o nobre presidente, que sua decisão não terá impacto apenas junto ao Valor Econômico, mas em centenas de outros jornais país afora, muitos deles com poder de fogo infinitamente menor.

Em nota, a Associação Nacional de Jornais afirmou receber com surpresa e estranheza a decisão: “Além de ir na contramão da transparência de informações exigida pela sociedade, a MP afronta parte da Lei 13.818, recém-aprovada pela Câmara e pelo Senado e sancionada pelo próprio presidente da República em abril. Por essa lei, a partir de 1º de janeiro de 2022 os balanços das empresas com ações negociadas em bolsa devem ser publicados de modo resumido em veículos de imprensa na localidade sede da companhia e na sua integralidade nas versões digitais dos mesmos jornais”.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu a construção de acordo no Congresso Nacional para que os jornais não sejam inviabilizados pela MP. “Minha preocupação é que o papel jornal ainda é um instrumento da divulgação da informação, da garantia da liberdade de imprensa e de expressão da nossa democracia. Retirar essa receita dos jornais da noite para o dia não parece a melhor decisão”, afirmou Maia.

Não se trata apenas de receita, mas de respeito, algo que nas bandas toledanas também não se tem quando se trata de valorização. É a velha máxima do santo de casa que não faz milagre.

Radares do bem

Conforme reportagem publicada pelo JORNAL DO OESTE, somente este ano foram registrados 51 acidentes no trecho da BR-467 entre Toledo e Cascavel, com 58 pessoas feridas e três óbitos, mais que o total registrado em todo o ano passado. O número até pode ser considerado baixo, entretanto, só não é maior porque o trecho é inteiro duplicado, o que contribui para a redução natural do número de acidentes e de mortes. Porém, chama a atenção que do total de acidentes, quase metade está relacionado ao excesso de velocidade. Não é raro a Polícia Rodoviária Federal – responsável pela fiscalização na rodovia – divulgar fotos com veículos flagrados muito acima dos 110km/h permitidos na via. Há casos de motos a quase 200km/h, carros rodando em velocidade muito semelhante que, convenhamos, por mais segurança e habilidade que possa ter o piloto ou motorista, uma batida a esta velocidade é crônica de uma tragédia anunciada.

Muito desse abuso pode estar relacionado à retirada dos radares fixos no distrito cascavelense de Sede Alvorada, embora ali não seja o ponto de maior risco de acidentes por excesso de velocidade. Daí a proposta de serem instalados quatro radares fixos e o aumento da fiscalização através dos radares móveis, decisão mais que acertada por parte da Polícia Rodoviária, afinal, quem trafega acima da velocidade máxima permitida está assumindo um risco, seja de causar um acidente, seja de ser punido por seu delito.

O radar não é o carrasco da história, até porque ele está lá, fixo, desempenhando as funções para as quais foi programado. Seu objetivo não é punir ninguém, mas sim evitar acidentes e permitir em muitos casos o fluxo mais consciente dos veículo em ponto de tráfego intenso, como é o caso da 467 e que levou à sua duplicação entre Toledo e Cascavel. Quem se lembra de como era certamente não sente a menor saudade e a colocação de um ou mais radares não será motivo de reclamação, até porque é possível viajar entre as duas cidades numa velocidade razoável e com deslocamento fácil e seguro. Os radares são equipamentos do bem quando se é consciente de seu papel enquanto motorista na sociedade. Caso contrário...

Uma lei e uma realidade

A Lei 11.340/06, batizada como Lei Maria da Penha, completa 13 anos nesta quarta-feira (7). Várias ações estão previstas para acontecer em Toledo como forma de homenagear a lei responsável por modificar a forma como se enfrenta – do ponto de vista legal – a questão da violência doméstica e familiar. É inegável ser a Lei Maria da Penha um marco nessa questão. Hoje uma boa parcela da população já ouviu falar da lei, conhece alguém que tenha tido acesso a ela ou então tenha sido punido e também se criou um ambiente favorável para a vítima de violência denunciar o agressor.

Mas, infelizmente, ainda é pouco. É preciso avançar em políticas públicas de segurança e de conscientização e o caso de um feminicídio esta semana na região é mais uma triste comprovação desta necessidade.

Mais de 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento no Brasil, de acordo com levantamento do Datafolha feito em fevereiro encomendada pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) para avaliar o impacto da violência contra as mulheres no Brasil.

Segundo o levantamento, grande parte das mulheres que sofreram violência dizem que o agressor era alguém conhecido (76,4%). Mulheres pretas e pardas são mais vitimadas do que as brancas; as jovens, mais do que as mais velhas.

Mas estes são apenas dados que não revelam, por exemplo, a questão cultural do homem ainda ter o pensamento – retrógrado – que a mulher é uma propriedade sua, como ainda vivêssemos nos tempos da escravidão.

Não resta dúvida de que a Lei Maria da Penha transformou a sociedade. Porém, é necessário caminhar mais. Os serviços públicos de proteção à mulher devem ser melhor divulgados, facilitando-se o acesso a eles, como tem agido em Toledo a Secretaria de Políticas para Mulheres. Desta forma, a mulher será mais informada sobre seus direitos e poderá receber a proteção que é prevista em lei. Muitas vezes a mulher tem medo ou vergonha de denunciar a agressão. Mas isso é necessário, até para que o ciclo de violência seja cortado e para evitar a ocorrência de um resultado mais grave.