Modernização da iluminação pública é alternativa para redução de custos públicos no pós-pandemia

Os projetos de Parcerias Público-Privadas (PPPs) de iluminação pública são alternativas para a otimização de recursos dos municípios em um momento em que suas economias estão mais abaladas por conta da pandemia provocada pela covid-19. Com um projeto de modernização da iluminação pública, como a troca de lâmpadas convencionais por LED, combinadas com sistemas de gestão e controle integrados, é possível gerar uma economia de, no mínimo, 40% no consumo de energia dos sistemas de iluminação pública. Essa é a solução para boa parte das 5.570 cidades brasileiras que estão com as finanças comprometidas, segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Nos primeiros quatro meses de 2020, 806 delas haviam estourado o limite imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal e outras 1.300 estavam em situação emergencial ou prestes a romper o teto legal.

No Brasil, os projetos de PPPS de iluminação pública ocorrem por meio de leilões que oferecem contratos de longo prazo. Levantamento da Associação Brasileira das Concessionárias de Iluminação Pública (ABCIP) aponta que o segmento terá um aporte de pelo menos R$ 18 bilhões nos próximos 20 anos por conta do aumento de contratos de PPPs que já foram realizados e que serão iniciados em 11 cidades até o final deste ano.

A iluminação pública é a espinha dorsal de uma cidade inteligente, que utiliza a tecnologia para melhorar a infraestrutura, otimizar a mobilidade urbana e criar soluções sustentáveis para a qualidade de vida dos moradores. O funcionamento integrado e eficiente das cidades, por meio de sensores instalados na infraestrutura da iluminação pública, gera economia em todos os setores, estimulando cada vez mais a modernização e a adoção de novas tecnologias.

Na prática, as lâmpadas de LED espalhadas pelas cidades podem ser equipadas com dispositivos inteligentes e sensores se comunicando com softwares que recebem e interpretam as informações enviadas por eles, criando cenários específicos para programar a redução da iluminação ou apagar um circuito, com segurança e criptografia, para determinados eventos. A solução também aumenta a vida útil dos componentes efetuando uma dimerização, ou seja, a redução do fluxo luminoso sem comprometer a segurança, em caso de não haver movimentação ou em horários programados.

Essa possibilidade tem atraído investidores em contratos de PPPs para iluminação pública. Uma das vantagens é a maior velocidade dos projetos, utilizando cada vez menos recursos, atraindo o investidor, que vai injetar um capital grande em um curto espaço de tempo com 20 anos para retomar esse capital. Um projeto de iluminação, que poderia levar anos para ser desenvolvido, poderá ser realizado em até três anos com uma empresa contratada.

A modernização do parque de iluminação pública, integrando soluções sustentáveis e tecnológicas, pode contribuir para o enfrentamento de desafios globais em relação às cidades, como as que estamos enfrentando atualmente. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 86% das pessoas já moram em cidades e, dessa forma, é preciso caminhar para tornar infraestruturas mais inteligentes, conectadas e sustentáveis.

Pedro Vicente Iacovino é Diretor Presidente da ABCIP – Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Iluminação Pública.