Novas gerações: desafio no equilíbrio entre expectativa e realidade

Um impacto cada vez mais evidente no mercado de trabalho tem sido o conflito causado entre as expectativas de uma nova geração de profissionais, forjados em um universo digital e imediatista, e a realidade das empresas. E com a situação pandêmica atual, há uma forte aceleração no mercado quanto à implementação de novos costumes, bem como a necessidade de adequação de ambos os lados

Menos preocupados com a estabilidade em um emprego, um atributo principal da nova geração é a rotatividade. Andrew Scott e Lynda Gratton avaliaram no livro “The 100-year life” que os novos trabalhadores terão em média de quatro a seis carreiras durante a vida, um cenário completamente oposto a seus pais ou familiares, que desempenham, ou desempenharam, a mesma função ao longo de suas vidas. Para eles, o objetivo em sua jornada laboral é a absorção de experiências, priorizando a qualidade de vida.

Para o mercado, além do impacto entre o que se oferece e o que se se espera, a possibilidade de se desencadear uma tendência: os trabalhos freelancer ou temporários – modelo de trabalho que já é empregado de 20% a 30% nas empresas europeias, e, por hora, aplicada em aproximadamente somente 5% das corporações brasileiras. Ou seja: a constituição tradicional do mercado já não se adequa aos perfis que vêm surgindo.

Além de se adaptar a estes novos aspectos, cabe às empresas também saber evitar o choque de realidade entre as quatro diferentes gerações atuantes. A pesquisa Millennials – Unravelling the Habits of Generation Y in Brazil, realizada pelo Itaú BBA, aponta que a geração X ocupa cerca de 26% das vagas. Um perfil de trabalhador que está habituado à rotina no desempenho de suas funções. Por isso é imprescindível aos gestores saberem balancear seu quadro funcional, levando em conta de que não há um lado certo ou errado, mas sim visões diferentes e habilidades distintas na maneira de enxergar o mundo.

Enquanto os mais antigos detêm mais experiência, os novos profissionais podem contribuir com inovação e criatividade. É preciso, porém, saber dosar: o momento econômico acaba por restringir oportunidades e é também um desafio para a nova geração entender que a facilidade nem sempre estará presente em sua carreira.

Para o gestor, fica o desafio de saber mediar conflitos, incentivar a comunicação e a troca de conhecimentos que se apresenta como uma solução proveitosa no desenvolvimento e aproveitamento das melhores competências de cada geração, fomentando um ambiente de trabalho atrativo para todos.

Cabe ainda salientar que, mesmo que saibamos da iminência das mudanças, há de se alertar os jovens, muito através da educação familiar, sobre a realidade do mercado que os pode levar a frustração, já que o mesmo ainda passa por reformulações e está no caminho da mudança, mas ainda não “chegou lá” em sua totalidade.

Roberto Vilela é consultor empresarial e mentor de negócios, especialista nas áreas de gestão e estratégias comerciais