O impacto da inovação no crescimento e reconhecimento da Biotecnologia

Uma das maiores conquistas que um País pode ter é o investimento em inovação – palavra que significa criar algo novo e que é derivada do termo latino innovatio, e se refere a uma ideia, método ou objeto que é criado e que pouco se parece com padrões anteriores. Tal iniciativa amplia os horizontes do conhecimento e promove o crescimento de diversos setores que são imprescindíveis para a economia regional e global, como tecnologia, ciência e outros.

Neste contexto, em fevereiro de 2020, foram publicados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, os Indicadores Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, um importante retrato sobre o cenário brasileiro neste quesito. O levantamento apontou que, apesar do aumento nos investimentos para P&D, o país ainda segue em desvantagem quando comparado a outros países. Uma vez que o país ocupa a 69ª posição no Índice Global de Inovação em ranking com 127 nações.

Entretanto, segundo um estudo do MIT – Innovation in Brazil, Advancing Development in the 21stCntury, ainda que seja desafiador o cenário da inovação e empreendedorismo no Brasil é promissor, sendo melhor do que a maioria dos nossos vizinhos na América Latina. Assim, fica evidente que, a agenda da inovação é mais importante do que nunca e que, cada vez mais, é preciso ampliar investimentos para estimular economia.

Dessa maneira, eventos ou crises de saúde mundiais também são um “divisor de águas” no que diz respeito à ampliação da produção científica, já conhecida por sua importância para o conhecimento de doenças e de seus efeitos, por exemplo, em busca de soluções. Assim, pesquisadores e cientistas no mundo todo, em muitos casos a partir de uma boa coordenação governamental, mobilizam-se e se unem em prol do desenvolvimento de soluções, promovendo diversas ações por parte dos governos para acelerar a pesquisa e a inovação, e outros.

E neste cenário as ações adotadas pelos governos para acelerar pesquisas na área de Biotecnologia têm fundamental importância, uma vez que diversos países do mundo coordenam suas iniciativas de pesquisa internamente e articularam os esforços àqueles identificados pela OMS, ampliando assim, os editais de pesquisa e o domínio da engenharia genética permitindo um crescimento vertiginoso da indústria de biotecnologia.

Hoje, as corporações cujos lucros dependem de conhecimentos científicos e experimentos nessa área tornaram-se gigantes transnacionais e figuram entre as empresas mais lucrativas do planeta. Entre as 100 maiores corporações mundiais, de todos os setores, que figuram no ranking da revista Forbes, sete são empresas classificadas no ramo de “fármacos e biotecnologia” (drugs and biotechnogy): Johnson & Johnson, Pfizer, Cigna CI, Novartis, Roche Holding, Merck & Co. e GlaxoSmithKline. Também vale à pena destacar que, o mundo sempre precisa de soluções inovadoras, rápidas e eficientes, e que nesse contexto as startups de biotecnologia – as biotechs – são fundamentais.

Diante de todas as ações e iniciativas citadas acima, concluímos que o cenário mundial e o investimento em inovação potencializaram e muito o crescimento e o conhecimento do segmento da Biotecnologia em todo o mundo. Nada mais justo do que o merecido reconhecimento aos profissionais (pesquisadores e cientistas) que lutam diariamente para solucionar os problemas ligados à saúde e ao bem-estar da sociedade, sem deixar de lado a paixão à Ciência e Inovação. É preciso também que tal processo tenha continuidade e que se invista cada vez mais em pesquisa, para que no futuro, o problema seja resolvido de forma mais rápida e consistente.

Rodrigo Moura é Diretor Geral da Thermo Fisher Scientific no Brasil e Bruno Andrade é CEO do BiotechTown.