O que é reserva de emergência e onde investi-la?

Por Danilo Gato*

A reserva de emergência é uma das ações mais importantes em um bom planejamento financeiro, vamos entender o porquê.

Todo investimento presume tempo, ou seja, normalmente investimos para ter benefícios financeiros em algum momento do futuro. A questão é que, entre hoje e essa data futura, podemos ter imprevistos financeiros na nossa vida, como: danos em bens materiais, desemprego, auxílio a familiares, entre outras situações.

Nessas situações, normalmente vamos precisar de dinheiro com certa urgência. O problema é que, normalmente na nossa carteira, existem vários investimentos que não permitem resgate no meio do caminho ou até mesmo investimentos como ações, por exemplo, que até permitem a venda a qualquer momento, mas dependendo do mercado podemos ter prejuízos.

Então, fica claro que se precisarmos resgatar os investimentos da nossa carteira sem planejamento, podemos ter altos prejuízos e comprometer a realização dos nossos objetivos.

Por isso, todos os investidores precisam ter uma reserva de emergências. Ela consiste em um valor que devemos ter aplicado em investimentos muito seguros e de alta liquidez (que permitem resgate a qualquer momento) para que possamos usá-lo no caso de imprevistos. Essa reserva é considerada separadamente de nossas carteiras para os outros objetivos.

Mas quanto devemos ter guardado na reserva de emergências?

É um consenso no mercado financeiro que um valor acumulado de aproximadamente 6 meses dos seus gastos básicos investidos para a reserva de emergências é suficiente para superar a maioria dos imprevistos. Investidores que querem ter ainda mais segurança podem ter até 1 ano de suas despesas básicas para esse tipo de reserva.

Todo investidor iniciante deveria ter como principal objetivo inicial consolidar sua reserva de emergências.

É extremamente comum, na empolgação inicial para investir em opções mais arriscadas e rentáveis, os iniciantes negligenciarem a reserva de emergência, apenas para verem suas carteiras destruídas nos próximos anos porque tiveram que resgatá-las por causa de algum imprevisto. Então, realmente precisamos consolidá-la antes de começarmos a investir para outros objetivos.

Quais investimentos são bons para a reserva de emergência?

Normalmente, buscamos investimentos que possuam 3 características principais:

1 – Alta liquidez: muitos investimentos não podem ser resgatados a qualquer momento. Isso seria um grande problema se tivéssemos algum imprevisto e precisássemos do dinheiro com urgência. Por isso, precisamos escolher apenas as opções que permitem resgate imediato, ou seja, que possuam alta liquidez.

2 – Estabilidade: se fizermos o cálculo para nossa reserva possuir o equivalente a 6 meses dos nossos gastos, ela precisa ter, no mínimo, sempre esse valor disponível para resgate. Não podemos usar opções onde o valor investido fica oscilando, como ações, por exemplo.

3 – Segurança: essa reserva é feita para emergências, logo, não podemos correr o risco de usarmos investimentos arriscados ou de procedência duvidosa, já que poderia acontecer uma situação delicada de o dinheiro “desaparecer” bem no momento que precisamos.

Notem que não citei rentabilidade. Para a reserva de emergência, ela é apenas um fator de desempate entre as opções que seguem os 3 fatores acima. Se um investimento é mais rentável, mas não possui alguma das 3 características principais, ele não é compatível e não deve ser utilizado.

Hoje, algumas das opções mais populares para a reserva de emergência, que possuem as 3 características, são:

– CDBs com liquidez diária: são investimentos emitidos por bancos que são considerados muito seguros porque são protegidos pelo FGC (uma espécie de seguro que reembolsa os investidores em até R$ 250.000,00 no caso de falência do banco). Porém, precisa ser a opção com liquidez diária, já que as outras só permitem resgate no vencimento.

– Tesouro Selic: é o título mais conservador do Tesouro Direto e o único que normalmente pode ser resgatado a qualquer momento sem perdas. É considerado por muitos o investimento mais seguro do país.

– Fundos DI: são fundos de investimento muito conservadores que investem praticamente todo seu patrimônio em investimentos muito seguros, como o próprio Tesouro Selic. Também podem ser resgatados a qualquer hora.

– Contas correntes remuneradas de bancos digitais: essa é uma modalidade muito recente, mas que está ganhando muito espaço por sua praticidade. Alguns bancos digitais possuem esse serviço, onde só de transferirmos nosso dinheiro para a conta corrente, ele automaticamente passa a render a taxa Selic diariamente. São considerados seguros porque esse dinheiro das contas fica separado do patrimônio do banco.

Então, fica aqui minha recomendação para quem está começando a investir agora: consolidem primeiramente a reserva de emergência para que possam depois investir para outros objetivos com mais tranquilidade e segurança.

*Danilo Gato é um educador financeiro, autor do livro “Aprenda a Investir seu dinheiro”