O que realmente aprendemos com a pandemia

O ano de 2020 foi marcante em vários aspectos da vida humana. Falou-se muito sobre saúde, higiene, cuidados pessoais e com o próximo, além de economia e desenvolvimento social, tudo isso atrelado à uma pandemia, que colocou à prova o desempenho de estruturas, métodos e sistemas até então consolidados e, por vezes, inquestionáveis. No setor educacional não foi diferente, já que todos também foram tirados de sua zona de conforto e convocados para viver o aqui e agora com o objetivo de manterem a missão de educadores e propagadores do conhecimento.

Na educação básica, emergiu o desafio de manter o ensino mesmo sem as condições necessárias habituais. Perdeu-se o contato presencial com os alunos e gerou-se a necessidade de empregar esforços não só para que o processo educacional acontecesse, mas também para impulsionar o uso da tecnologia, inovação, criatividade e agilidade. Com isso, alterou-se não só a rotina dos educadores e educandos, mas também o modo de transmitir conhecimento por meio de plataformas virtuais até então pouco exploradas.

Em meio à tantas mudanças compulsórias, em que a autocrítica dos processos foi ponto de partida para muitas alterações, percebeu-se o quanto é eficiente estar sempre em movimento em uma realidade tão dinâmica quanto a que se apresenta neste momento. E para isso, gestores e professores compreenderam que não se podem manter estruturas ditas seguras ou métodos arcaicos que, por vezes, foram eficazes em algum momento, entretanto, não o são mais. No Colégio Marista de Maringá, por exemplo, precisou-se olhar além do contexto ameaçador e se arriscar em novidades para que o impacto negativo do isolamento social não deixasse de ser um impulso para a educação.

Como bem dizia Paulo Freire: “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. Logo, como questionar que a pandemia não ensinou tantas coisas apesar dos pesares? Hoje sabe-se que ser educador é mais do que um título de licenciatura ou um diploma de pedagogia, mas a disponibilidade para manter a alegria no aprender, ou melhor, no aprender e reaprender. É nesta constante construção de novos saberes que o conhecimento avança, se desenvolve e envolve novos agentes que o aplicam em um processo dialético e contínuo.

Não se pode mais pensar a educação referenciada em conteúdos que são meramente reproduzidos pelos estudantes, a pandemia ensinou que de nada basta ter um amplo conhecimento sem valores que sensibilizam e humanizam a sociedade para a autopreservação e ação constante. Ou seja, não se pode pensar em educação e processos educacionais que mantenham os estudantes alheios ao presente. É preciso envolvê-los em situações que exijam o despertar para o aqui e agora, mantendo-os prontos para atuarem em quaisquer condições, sejam elas de exigência intelectual, socioemocional, ética, política, individual ou coletiva e até mesmo espiritual.

Mais do que impactos traumáticos causados pela Covid-19 e isolamento social, em 2021 haverá milhares de condições para o desenvolvimento do conhecimento em todas as dimensões. Para isso será necessário que educadores em todos os setores se mantenham em movimento de autoavaliação, autocrítica, revisão de processos e métodos, que estejam presentes e sejam presença significativa. 

Danilo Xavier de Morais é filósofo, pedagogo e analista de Pastoral do Colégio Marista de Maringá