Os mestres verdadeiros conhecem os segredos da vida. e escolhem seu aprendiz

Tenho encontrado muitos leitores pelas ruas das cidades, e a cada novo leitor que conheço, fico impressionado com a forma carinhosa com que sou abordado.

Muitas me relatam que aprenderam coisas interessantes nestes artigos, que tiveram ‘estalos’, novas idéias, que saíram de situações difíceis, que passaram a entender melhor algumas pessoas, que criaram forças e levantaram novamente para brindar a vida, que descobriram o quanto eram felizes e não haviam percebido, que aprenderam que as quedas nos tornam mais fortes, que passaram a ser os pilotos de suas próprias vidas, que descobriram que o tempo pode ser um grande aliado, que perceberam que a mesma mão que se abre para doar é a que se abre para receber, enfim, que puderam sentir-se os co-autores destas passagens.

Alguns até me perguntam que segredos estão guardados que ainda não revelei. Para estes repondo que segredos não existem, uma vez que foram pensados, já não mais nos pertencem, já se espalharam como as nuvens espalham-se frente a mais suave brisa.

Aquele que consegue sentir a suavidade do vento que bate em seu rosto, pode também decifrar o sentido dos segredos dos dias e das noites que se repetem a cada instante. Cada um a sua hora, cada um conforme a etapa do caminho que já percorreu, cada um conforme sua capacidade de multiplicar o poder da luz, o poder infinito do bem.

E assim, multiplicando a luz, foi que um velho amigo me contou esta estória: “Em baixo das ruas das cidades, protegidos pelas grandes muralhas como era de costume, onde a luz do conhecimento se solidifica, um grupo de jovens aprendizes ouvia seu sábio instrutor.

– Mestre Maggog, qual o significado da vida? Perguntei ofegante. Seguiu-se o murmúrio habitual e as pessoas se mexeram nas banquetas e alambrados. Mestre Maggog, levantou a mão, silenciando o salão, e me olhou por um longo tempo, perguntando com os olhos se eu estava falando sério. E vendo nas profundezas dos meus que eu estava… – Vou responder à sua pergunta. Respondeu com tranqüilidade o velho mestre.

Ele tirou a carteira do bolso da calça, pôs a mão dentro da divisória de couro e pegou um espelho redondo bem pequeno, mais ou menos do tamanho de uma moeda de vinte e cinco centavos.

Disse então o seguinte: – Quando eu era pequeno, durante a guerra, éramos muito pobres e vivíamos em um vilarejo distante. Certo dia, na estrada, encontrei os pedaços partidos de um espelho. Uma motocicleta alemã tinha se acidentado naquele lugar.

– Tentei encontrar todos os pedaços e juntá-los, mas não era possível. Então só guardei o pedaço maior. Este aqui, que esfreguei em uma pedra, fazendo-o ficar redondo. Comecei a brincar com ele e fiquei fascinado ao descobrir que podia refletir a luz em lugares escuros, onde o sol nunca brilhava; em buracos profundos, fendas e armários. Aquilo virou um jogo para mim, levar luz aos lugares mais inacessíveis que conseguia encontrar.

E continuou:- Guardei o espelhinho e, à medida que ia crescendo, eu o tirava do bolso nos momentos em que não estava fazendo nada e continuava com o desafio do jogo ‘levar luz ao mundo das sombras e da escuridão’.

– Quando virei homem, comecei a entender que aquilo não era só uma brincadeira de criança, mas uma metáfora para o que eu poderia fazer com a minha vida.  Acabei percebendo que não sou a luz ou a fonte de luz. Porque a luz – a verdade, a compreensão, o conhecimento – está sempre ali e vai iluminar muitos lugares se eu a refletir.

– Eu sou apenas o fragmento de um espelho do qual não conheço a forma nem a finalidade. Mesmo assim, com o que tenho, posso refletir a luz nos lugares escuros deste mundo, sobretudo nos corações dos seres humanos, e posso mudar algumas coisas em algumas pessoas. Talvez outras pessoas me vejam fazendo isso e façam o mesmo. É para isso que eu vivo. É este o significado da minha vida.

Mais uma lição estava sendo dada naquele dia aos que um dia também se espalhariam pelo mundo refletindo a luz, não a sua luz, do sol, mas a luz que vem do alto. Ai final Mestre Maggog me disse: – Você foi o escolhido”.

E assim se faz o real sentido da vida, refletir as coisas boas que o mundo nos oferece. Refletir a luz, para que outros a reflitam a mais outros, e estes a outros, e assim por diante até que não existam mais pontos escuros ou sombrios por onde passarmos. O importante é que mostremos para as outras pessoas, que não somos a luz, apenas nos propomos a refleti-la.

As trombetas anunciam… In principio erat verbum.  Um abraço do Klaue!   

Eduardo Klaue: É um viajante do tempo e do espaço, que ajuda pessoas que já tem quase tudo a se sentirem ainda melhores.

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