Coluna do Editor 15/04/2021

Pêsames

Primeiro meus sinceros pêsames às famílias dos ex-prefeitos José Carlos Schiavinato (Toledo) e Francisco Dantas de Souza Neto (São Pedro do Iguaçu), que faleceram nesta terça-feira (13), vítimas de Covid-19. Schiavinato e Chiquinho, guardadas as proporções, foram muito importantes para o desenvolvimento de suas respectivas cidades.

Luto oficial

O presidente da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amp), Leonaldo Paranhos (prefeito de Cascavel), decretou luto oficial de três dias nos 54 municípios da região pelo falecimento de Schiavinato.

Curriculum

Paranhos, em nome dos prefeitos de todas as cidades integrantes da Amop, destacou o curriculum de Schiavinato durante seus 35 anos de vida pública, “dedicados na defesa do municipalismo, setor produtivo e desenvolvimento do Município de Toledo e do Oeste do Paraná, possuindo vários prêmios como referência como Administrador Público”, escreveu Leonaldo Paranhos.

Exemplo

Na nota, a Amop “lamenta a irreparável perda deste líder e homem público trabalhador, íntegro e exemplar, que muito dedicou-se a fazer o bem em prol da população, sempre defendendo as bandeiras da região Oeste e de todo o Estado do Paraná”.

Trajetória

Schiavinato foi prefeito de Toledo por dois mandatos (2005 a 2012), depois foi eleito deputado estadual (2015 a 2018) e deputado federal (2019 até abril deste ano).

Lacuna

O ex-prefeito Lucio de Marchi, em entrevistas a várias emissoras de rádio e televisão, falou sobre a morte do “parceiro Zé”, com quem conviveu de perto quando era vice-prefeito nos dois mandatos. Na opinião de Lucio, a partida prematura de Schiavinato abre uma lacuna irreparável na política de Toledo e que dificilmente será preenchida.

Técnica

Lucio de Marchi destacou a capacidade técnica de Schiavinato, que tinha muito acesso a projetos graças a essa experiência, tanto que conseguiu atrair recursos importantes ao longo de sua trajetória. Somente nos quatro anos que Lucio esteve no comando da Prefeitura de Toledo, o trabalho de Schiavinato como deputado atraiu mais de R$ 100 milhões. “E não apenas pelo dinheiro, mas pela importância das obras realizadas”, comentou Lucio de Marchi.

E agora?

Claro que a morte de qualquer cidadão choca, ainda mais nas circunstâncias que ocorreram, entretanto, a pergunta recorrente nesta quarta-feira no mundo político local era essa: e agora?

Do zero

Para os Progressistas o trabalho começa literalmente do zero, diante da ausência de seus maiores líderes políticos de todos os tempos. José Carlos Schiavinato começava sua trajetória na Câmara Federal, ocupando o legado deixado pelo antecessor – e que fez escola – Dilceu Sperafico, que já declarou não ter mais interesse em disputar uma nova eleição para o cargo. Com isso será preciso buscar – e rápido – nomes capazes de ocupar um espaço que há tempos a cidade possuía.

Buraco

A situação política de Toledo já era delicada no âmbito estadual por nenhum deputado estadual ter sido eleito na última eleição. Agora será ainda pior porque perdeu seu único representante também na esfera federal. Um buraco sem tamanho.

Disputa

A morte de Schiavinato abre terreno para uma disputa que silenciosamente já vinha sendo travada nos bastidores políticos, justamente pela ‘fraqueza’ política que certamente irá se acentuar nos próximos dias se não houver uma movimentação organizada – e rápida – de grupos importantes no cenário local. Basta observar a quantidade de votos que foram para candidatos até de outras regiões que sequer apareceram em Toledo para dizer ‘olá’.

Respirar

Mas, agora é hora de respirar, respeitar o luto da família e desejar força para que possa se recuperar do baque de, em um mês, perder dona Marlene e agora José Carlos Schiavinato.

E agir!

Mas, a partir da próxima semana, será preciso agir porque a largada para 2022 foi antecipada, infelizmente, com esta trágica morte.

Exemplo

Até porque o Oeste do Paraná já viveu situação semelhante em 30 de janeiro de 2012, quando um trágico acidente na PR-239, rodovia que liga Toledo a Assis Chateaubriand, ceifou a vida do também deputado federal Moacir Micheletto, na época com 69 anos, um pouco mais velho apenas que Schiavinato, que tinha 66.

Velório

O velório do deputado federal José Carlos Schiavinato será realizado, nesta quinta-feira (15), no hall de entrada do Paço Municipal Alcides Donin das 9 horas ao meio-dia. Em seguida, o cortejo fúnebre segue até a Catedral Cristo Rei, onde será celebrada missa de corpo presente às 16 horas e, em seguida, por volta das 17, haverá o sepultamento em ala destinada a ex-prefeitos de Toledo no Cemitério Cristo Rei.

Riscos

Para minimizar os riscos de disseminação do novo coronavírus, haverá uma triagem em que se controlará o número de pessoas que podem permanecer no recinto. Na entrada, elas terão a temperatura corpórea aferida e serão orientadas a passarem álcool em gel nas mãos.

Contra

Embora respeite a decisão de realizar o velório, não posso concordar com ela. Penso que todas as homenagens são mais que justas a Schiavinato por tudo que ele fez e representa, entretanto, o respeito às regras sanitárias devem vir em primeiro lugar neste momento. E como ficam as famílias que também perderam entes queridos por causa da Covid-19 e não puderam velá-los? Se a regra vale para um, deveria valer para todos…