A difícil arte de escrever

Aproveitando a visita do professor – e escritor – Sergio Luiz Herkert ao JORNAL DO OESTE nada melhor que abordar sobre a difícil arte de escrever. Ele, assim como tantos outros bons autores toledanos integram a Academia de Letras de Toledo e, assim como em outras cidades da região, esforçam-se a fim de manter viva a chama pela boa e velha literatura. Mas como é difícil sair do tradicional numa região acostumada a dar pouco – ou quase nenhum – valor à sua cultura. Nem mesmo em Toledo, onde foi construída a primeira Casa da Cultura do interior do Paraná, a situação é das mais animadoras.

As dificuldades são gigantescas quando se pretende produzir um livro diferente. Desde custos altíssimos, passando pela falta de apoio, pelo desconhecimento completo da qualidade do material produzido na região, até mesmo ao desinteresse natural de quando o produto é caseiro. A velha máxima do “Santo de Casa” se aplica em toda sua plenitude num setor que sofre com o avanço da tecnologia e o desinteresse natural das novas gerações à arte da leitura.

Mesmo assim há homens e mulheres em Toledo que escrevem muito. E muito bem! Poesias, biografias, documentários, contos e até histórias infantis brotam desta terra vermelha e fértil não apenas para o agronegócio, mas também em sua cultura e sua literatura. Assim acontece também na música, onde vários talentos estão por aí sem receberem o devido valor e reconhecimento. E assim é na dança, que sobrevive de abnegados; no teatro minguado; nos shows cada vez mais raros. E nem por culpa da pandemia do novo coronavírus, pois esta é uma situação que há tempos perdura.

A difícil arte de escrever se soma à de dançar, cantar, atuar, pintar, etc, etc, etc…um verdadeiro cilindro que gira sobre si próprio, dificultando ainda mais o surgimento de novos talentos pela pura e simples falta de apoio, de incentivo. Há uma ou outra iniciativa para tentar quebrar essa roda negativa, entretanto, são tão raras que até estas parecem estarem se enfraquecendo ainda mais. Mas nada parece ser capaz de suplantar a vontade destes apaixonados pela leitura e escrita que, embora seja difícil, mantêm viva a paixão pelas letras.