A língua é o chicote do corpo

Diz o ditado que sim, que a língua é o chicote do corpo e da alma do político. Durante a campanha eleitoral em Toledo, o prefeito Luiz Adalberto Beto Lunitti Pagnussat – sempre ao lado do seu vice Ademar Dorfschmidt – foi enfático ao garantir que não fecharia de jeito nenhum o comércio varejista, um dos setores mais prejudicados com a crise da pandemia do novo coronavírus. Na sexta-feira o prefeito se rendeu ao momento crucial pelo qual a sociedade brasileira – e não apenas de Toledo – passa, sendo obrigado a seguir o decreto do governador Ratinho Junior determinando medidas mais drásticas para tentar conter o avanço da Covid-19 em todo o estado, fato que pressiona todo sistema de saúde, haja vista não existirem mais leitos de UTI Covid em toda macrorregional, que engloba cidades do Oeste e Sudoeste.

Agiu de maneira correta o prefeito, afinal, não o fizesse certamente seria penalizado no futuro, pois ainda no fim de semana novos óbitos reforçaram a gravidade do atual momento. Não se pode criticá-lo por agir dessa forma, entretanto, o episódio serve para mostrar como os políticos brasileiros estão despreparados para lidar com essa pandemia, afinal, ninguém poderia em sã consciência ter prometido que não fecharia este ou aquele setor, afinal, diante de um vírus mortal não se pode prometer nada além de buscar de maneira incessante alternativas para garantir um mínimo de segurança.

Ao invés disso, a classe política como um todo deveria dar o exemplo e cobrar uma fiscalização mais rigorosa de suas forças auxiliares, assim como também exigir da população um comportamento mais responsável. Quando se deixa livre e a cargo de cada um a decisão sobre o que fazer, na prática o que se observa é o caos, como aconteceu em Toledo há alguns dias e hoje os números aí estão para comprovar a ineficácia do slogan “Liberdade com Responsabilidade” que até serve para quem tem consciência sobre seus atos, entretanto, num país culturalmente pobre e com um nível de educação de sua gente abaixo da Linha do Equador, difícil esperar algo diferente do que vivermos hoje, onde pessoas morrem à espera de um leito de UTI nas filas cada dia maiores e promessas são feitas ao sabor dos ventos. A responsabilidade também precisa estar nos discursos. De todos.