Analisando as queimadas

O Brasil – e uma boa parte do mundo – tem se assustado com a força das queimadas este ano na região do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, dois estados onde tradicionalmente nesta época do ano o fenômeno acontece em função de dois ingredientes básicos. O primeiro é a característica do clima nesta época do ano, com inverno mais seco; o segundo é a ação do homem cada vez maior, reduzindo a área do pantanal que, quem conhece, sabe se tratar de uma região com aspectos muito peculiares e com regiões de difícil acesso.

Mas não apenas nestes dois estados brasileiros as florestas queimam. Nos Estados Unidos, a Califórnia serve de exemplo de quanto os incêndios florestais são devastadores na terra do Tio Sam. Há regiões na Austrália onde os incêndios são igualmente frequentes, assim como na Alemanha ou na Argentina, onde também nesta mesma época o fogo consome espaços importantes de mata.

No Brasil a discussão – uma vez mais – ultrapassa o limite do sensato, com ataques ideológicos sendo direcionados sem o menor critério, como o fogo acabasse também com a razão humana.

O próprio Paraná, que enviou bombeiros para auxiliar no combate às queimadas nos estados vizinhos, tem sofrido com a estiagem prolongada e todo ano também enfrenta problemas sérios com queimadas, fruto de décadas de desmatamento consentido e tresloucado que, cedo ou tarde, cobraria a conta. E esta começou a chegar a passos largos, a ponto de Curitiba viver um rodízio no abastecimento de água que perdura há meses, enquanto o Paraná se mantém em alerta por causa da crise hídrica sem precedentes.

Afirmar que um processo não tem ligação com o outro é acreditar em contos de fada. Evidente que o desequilíbrio ambiental auxilia demais neste processo de queimadas, entretanto, não se pode esquecer e ignorar por completo as questões meteorológicas que também contribuem para fazer desta uma época de calor intenso, mesmo quando as temperaturas deveriam ser mais baixas.

Como nesta segunda-feira se comemora o Dia da Árvore, quem sabe não seja uma ótima oportunidade para refletir sobre o que estamos efetivamente fazendo a fim de contribuir para a melhoria do meio ambiente no ambiente no qual vivemos.

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