Apacs podem ajudar a mudar uma realidade

Quem hoje conhece Daniel Luiz da Silva mal pode imaginar que o gerente de Metodologia da Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados foi preso pela primeira vez aos 14 anos, atirou uma marmita no rosto de um juiz e comandou cerca de 200 homens de uma quadrilha no interior de Minas Gerais. Negro, pobre, semianalfabeto, vindo de uma família completamente desestruturada, Daniel é igual a milhões de brasileiros cujo estereótipo em geral resulta em mais prisões, mais crimes e, claro, mortes.

Quis o destino que Daniel conhecesse o método Apac, alternativa que vem ganhando mais espaço em meio ao caótico sistema prisional brasileiro. Hoje Daniel tem a oportunidade de contar sua história, como mostra reportagem na página ao lado e personificar o método que, sim, pode transformar vidas. Evidente que nem todos são capazes de dar a volta por cima como foi o caso de Daniel, entretanto, quando comparado ao índice de recuperação do sistema prisional comum, o das Apacs é imensamente maior. Enquanto o índice de reincidência de um preso do sistema tradicional no Brasil giram em torno de 80%, na Apac ele despenca para algo em torno de 20%, ou seja, é inegável a qualidade do atendimento prestado e na metodologia aplicada e que em Toledo começará a ser conhecida mais de perto a partir de novembro, quando finalmente entrará em funcionamento a unidade que tantas críticas sofreu até ser concebida para atender inicialmente 51 detentos, mas com capacidade para dobrar o número de apenados no futuro.

Sim, as Apacs podem ajudar – e muito – a mudar a realidade de pessoas que por motivos diversos acabaram por ingressar no mundo do crime, mas que ainda podem ser recuperados se assim desejarem, até porque a premissa básica para o sucesso do modelo é justamente o desejo pessoal, a vontade interior que o ser humano carrega consigo e é capaz de produzir histórias maravilhosas, como é o caso do personagem de hoje, Daniel Luiz da Silva, um brasileiro que venceu. Venceu porque teve em sua vida alguém que acreditou na sua força de vontade e construiu uma unidade mais humana. O passado a Apac não consegue apagar, porém, o futuro, é possível construí-lo de uma forma completamente diferente.