Coisas de Brasil

Em meio à pandemia que ainda preocupa o mundo inteiro, aos poucos a vida vai voltando ao normal. Ao menos em países onde a preocupação em estabelecer medidas duras, mas necessárias, para conter o avanço do novo coronavírus se mostrou eficaz. Claro que uma vacinação rápida e em massa ajudou – e muito – neste processo de, digamos, recuperação da vida quase normal, pois a Covid-19 deixa à humanidade uma série de lições, sendo talvez a principal que aquele velho normal vai demorar muito tempo até ser resgatado.

No Brasil, segundo dados oficiais, aproximadamente 11% da população havia sido vacinada até esta segunda-feira (12). Até mesmo o Paraná, um dos estados onde se vacina de domingo a domingo está ficando para trás no ranking interno porque o ritmo de chegada das vacinas está aquém do esperado, fruto de uma política tresloucada do antigo ocupante Ministério da Saúde, sem mencionar o descaso do Palácio do Planalto no início da pandemia e que muito atrasou o início da campanha de vacinação.

E, enquanto os atrasos vão dificultando a vida do cidadão, governadores, prefeitos e empresários estavam dispostos a comprar vacinas por conta própria, até como forma de sair o mais rápido possível de uma crise que entra em seu segundo ano com prejuízos enormes não apenas à economia nacional, mas à vida de cada cidadão impactado de algum forma pela doença. E qual a atitude do Governo Federal? Proíbe esse tipo de compra por entender ser necessário centralizar o processo.

Ora, se a iniciativa privada ou até mesmo as demais esferas do governo querem – e podem – comprar doses, por que não liberar essa ação? Não é o mesmo Governo Federal que vive reclamando da falta de dinheiro?

Na prática hoje o índice de pessoas vacinadas poderia ser maior, entretanto, como tantos outros assuntos que envolvem a política tupiniquim, mais uma vez o pires na mão prevalece, mantendo governadores e prefeitos reféns dos holofotes eleitoreiros que tanto se verifica num país único em vários sentidos, inclusive na produção de situações como essa. Coisas de Brasil que não se explicam.