Contas, ah, essas contas

Nesta quarta-feira (26), em audiência na Câmara Municipal, o prefeito Beto Lunitti apresentou a primeira prestação de contas de sua nova gestão. Os números, embora positivos, são preocupantes em alguns aspectos. A boa notícia é que as contas estão em dia e o limite prudencial da folha de pagamento segue dentro dos padrões aceitáveis para uma prefeitura de tamanho – e da grande – como é a de Toledo. E para por aí.

É preciso, entretanto, ressaltar que não é culpa desta ou daquela gestão, mas sim uma conjuntura de fatores que tem tirado o sono de muitos administradores públicos desde o início da pandemia, em março do ano passado. A arrecadação do município, por exemplo, deverá ser uma das piores na média histórica para este período, algo que é preciso estar muito atento, haja vista que do dia para a noite as contas podem não fechar mais. Além disso, boa parte da dívida do município é em dólar ou euro e essas duas moedas vêm, desde o ano passado, num movimento de alta constante e isso influencia diretamente no quanto Toledo deve.

Mas são dois índices apresentados pela atual gestão que mais preocupam. Os investimentos em saúde e educação, ao menos os mostrados durante a prestação de contas de ontem. Quando comparado ao mesmo período do ano passado a diferença é gritante. No campo da educação há uma explicação, afinal, as aulas presenciais não retornaram em sua totalidade, embora nem tudo se explique apenas por isso.

Pode ser precaução pelo momento econômico, pode ser apenas um novo jeito de pensar as duas áreas. Fato é que esses dois setores são fundamentais para qualquer gestão ter ou não sucesso, pois são aquelas onde mais se investe dinheiro do orçamento, concentram um grande número de profissionais e atendem a maioria da população, portanto, precisam ser gerenciadas de uma forma mais organizada, planejada e onde a sequência de pensamento pode representar a tênue diferença entre sucesso e fracasso.

As contas da Prefeitura de Toledo, ao menos até agora, seguem dentro daquilo que se espera, porém, é preciso uma atenção maior por parte do gestor e até mesmo dos vereadores, afinal, são eles os verdadeiros fiscais do dinheiro público e de sua correta aplicação.