Criatividade em prol do calor humano

Desde o início da pandemia, no longínquo 15 de março, as pessoas da região precisaram aprender a conviver sem algo que para os brasileiros é quase como um castigo. Beijos e abraços nas pessoas queridas foram simplesmente banidos do cotidiano; o convívio social praticamente abolido, salvo por aqueles que insistem em desrespeitar as regras mais elementares no combate ao Covid-19. Para os idosos que vivem na APA- Lar dos Idosos em Toledo não houve alternativa, se não a de obedecer.

Ao longo destes sete meses os abraços que ajudam a amenizar muitas vezes o sofrimento de uma vida inteira sumiram. A tristeza e a solidão foram se avolumando. O carinho, o toque, o beijo simplesmente desapareceram. Gestos simples como um aperto de mão, um carinho no rosto ou aquele ‘abraço de urso’ se tornaram apenas doces lembranças de quem, por vezes, sequer consegue lembrar de quem é, de onde vive, do dia da semana.

Para quem zela por estas pessoas era um sofrimento a mais, pois nada era possível fazer. Era porque, este mês, a APA recebeu uma doação que tem transformado o clima neste Natal tão dolorido para tantas famílias. A chamada Cortina do Abraço chegou para alegrar um pouco mais a vida destes idosos. Sim, pode não ser o abraço caloroso de outrora, porém, ainda assim ajuda a amenizar a saudade, a necessidade de sentir o outro de perto. De apertar entes ou amigos queridos. Evidente que todos os cuidados são tomados para evitar o contágio pelo novo coronavírus, por isso, em tempos de pandemia, até os abraços estão sendo dados com hora marcada.

Mas, em tempos de espírito natalino, este é um presente e tanto não apenas aos idosos da APA, mas para todos aqueles que ainda acreditam, que têm fé em dias melhores – independente de qual seja sua crença religiosa. Essa cortina não representa apenas um alento aos idosos que vivem neste ambiente tão especial de Toledo. É um alento às famílias que passarão o Natal longe umas das outras, ávidas por dias melhores que, todos esperam, cheguem logo em 2021 para que mais e mais pessoas possam se abraçar, se beijar e, acima de tudo, respeitarem umas às outras.