Jogando para a torcida!

O projeto de lei votado na sessão de ontem (12) sobre a implantação de uma unidade sentinela para prescrição do chamado tratamento precoce contra a Covid-19 é mais uma daquelas demonstrações do quanto ainda é preciso o Legislativo brasileiro evoluir.

As justificativas apresentadas durante os debates na Câmara Municipal foram mais do mesmo que vem sendo discutido desde o início da pandemia. Um debate muito mais ideológico que técnico, até porque nem mesmo entre a classe médica existe consenso sobre o tratamento mais adequado diante de uma doença que a cada novo dia surpreende.

Uma disputa ideológica que em nada contribui para o combate à doença, até porque a medicação prevista pelo projeto já está à disposição da população há tempos, mais precisamente desde o início da pandemia. Hoje já se tem essa prerrogativa de se tomar os medicamentos. Se existe a liberdade do médico – que é o verdadeiro responsável técnico – então que essa siga assim.

Mais um projeto onde se está mais jogando para a torcida que qualquer outra coisa, ainda mais no momento em que se está sendo discutido. Tivesse esse projeto sido apresentado ano passado, talvez até fosse plausível a discussão. Mas agora?

Nada contra o tratamento precoce, nada contra quem não acredita em vacina. Cada um é livre para decidir o que fazer com a própria vida. Aliás, é bíblico o livre arbítrio – para quem acredita em Deus, é claro. Numa coisa é preciso concordar: É preciso pensar em salvar vidas e isso se faz através de uma discussão pautada na lógica, na serenidade.

Hoje essa serenidade passa necessariamente pela vacinação em massa e pela manutenção das medidas preventivas, como o uso de máscara, entre outras ações mais simples que os vereadores de Toledo fecham os olhos.

Seria mais produtivo cobrar maior agilidade na vacinação, maior rigor na fiscalização de quem usa ou não máscara, entre outras ações que, infelizmente, não são tomadas porque isso seria criar desgaste, algo que muitos dos legisladores país afora preferem passar ao largo. Não será uma unidade que irá ou não mudar o cenário da Covid-19 em Toledo, mas sim uma atitude mais responsável de todos.