Mais pedágios à vista

Se nada mudar – e parece que não irá – as estradas que cortam o Paraná terão nada menos que 15 novas praças de pedágio tão logo o novo modelo de concessão seja posto em prática. Novas porque todos as atuais praças serão mantidas. Talvez, e sabe-se lá até quando, com um preço menor. Mas em se tratando de pedágio no Paraná não seria surpresa alguma os valores subirem de uma hora para outra ou então obras previstas serem postergadas ou então ignoradas por completo, como acontece com o atual modelo, uma verdadeira bizarrice para quem não convive de perto com os meandros do mundo jurídico. Aliás, este contrato deve ser objeto de estudo em todas as faculdades de Direito do planeta, tamanha é sua eficiência em gerar lucro aos operadores de um sistema que funciona todos os dias do ano e em todas as horas. Sem descanso, sem trégua, sem arrefecer a ânsia em arrecadar mais e mais, mesmo se prestando um serviço muito aquém do valor cobrado na tarifa.

O que mais chama a atenção é que a maioria dos trechos a serem pedagiados no futuro passam hoje por obras importantes de remodelação, como é o caso da BR-163, tanto no sentido até Guaíra, no oeste, quanto em direção a Barracão, no sudoeste. Isso sem mencionar a já duplicada BR-467, entre Toledo e cascavel, que receberá uma belíssima praça de pedágio tão logo seja aprovado o novo modelo de concessão. Isso aconteceu com todas as rodovias paranaenses no início do contrato com as concessionárias. De leste a oeste a BR-277, por exemplo, recebeu um novíssimo recape asfáltico, sendo a única preocupação imediata das empresas construir as praças e cobrar o pedágio mais caro do mundo.

Serão mais praças de pedágio instaladas na fuça dos paranaenses que confiaram uma vez mais em suas lideranças, sejam elas políticas ou empresariais, a fim de evitar essa tragédia que se anuncia. Ledo engano! Os discursos inflamados, os atos ensaiados de nada serviram e o motorista que trafegar pelo estado deverá pagar mais, mesmo que o valor seja menor, até porque serão novas praças para compensar uma eventual perda que só acontece do lado de cá da fronteira.