Manter a pressão

Esta semana, no distrito de Sede Alvorada, entre Toledo e Cascavel, foi realizada uma manifestação contra o modelo de pedágio proposto pelo Governo Federal para as estradas paranaenses, em função do fim do contrato que durante os últimos 30 anos castigou sem dó, muito menos piedade, os bolsos das centenas de milhares que diariamente pagaram – e ainda pagam – uma das mais altas tarifas do mundo e, de longe, e mais cara do Brasil na relação custo x benefício, afinal, os paranaenses ainda trafegam em estradas arcaicas e perigosas em sua esmagadora maioria.

A importância desse manifesto – apartidário e pacífico – não se deve apenas por demonstrar a união de esforços das lideranças políticas e empresariais em torno de um assunto tão importante. Deve-se também ao fato de manter a pressão sobre o Governo Federal para que este não empurre goela abaixo um modelo que poderá trazer sérias consequências econômicas e sociais em longo prazo.

A tarifa elevada acaba sendo embutida no preço de tudo, o que torna o Paraná um estado menos competitivo em se tratando de logística, por exemplo. Com as novas praças que estão sendo propostas, a região Oeste seria uma vez mais penalizada, pois não apenas ampliaria o prazo desse custo, como também aumentaria a quantidade de praças a serem pagas.

Por isso a participação nas audiências públicas e a pressão sobre os agentes políticos é necessária para não permitir acontecer o mesmo que há 30 anos, quando um modelo nocivo foi adotado beneficiando apenas empresários gananciosos e políticos demagogos. A dobradinha se beneficiou desde então, enquanto a conta foi sendo diluída entre aqueles que não têm o poder de decisão e pagam dobrado, afinal, os impostos referentes aos veículos sequer foram modificados ou seus índices reduzidos ao longo desse período.

Manter a pressão é não apenas uma questão de posicionamento agora, mas de garantir às próximas gerações viajar por estradas mais seguras e mais baratas em relação ao atual estágio no qual o Paraná inteiro se encontra.