O rescaldo e o futuro

Domingo muitas eleitores brasileiros voltaram às urnas para o segundo turno da eleição municipais. Na maioria das grandes cidades aconteceu isso, com esmagadora vitória dos partidos do Centrão. O que fica do rescaldo da eleição é muito simples: a esquerda não está completamente desfalecida, tampouco a população se sente segura em entregar o poder novamente a seus representantes. Isso é fato e, embora ainda faltem dois anos cheios até a eleição de 2022, certamente esse deverá ser um ingrediente a ser levado em consideração na disputa nacional, haja vista não parecer surgir nessa escala um nome capaz de aglutinas todas essas forças. Boulos e Manuela D’Ávila até assustaram em seus respectivos quintais. Só isso.

O rescaldo da eleição mostra ainda que alguns nomes podem surgir com força, como o próprio governador paulista João Dória, que ainda enfrenta muita resistência no âmbito nacional. O presidente Jair Bolsonaro também não sai da disputa municipal tão fortalecido quanto gostaria, até porque preferiu a isenção, tal qual fez Ratinho Junior em relação a cidades importantes, como foi o caso de Toledo, onde se acreditou demais no canto da sereia, mas quando se viu o naufrágio era inevitável.

Restam ainda dois anos e nomes surgem e surgirão outros em condições de disputar com Bolsonaro uma eventual reeleição. E, sim, o presidente pensa, age e administra o país de olho em 2022. Resta saber se algum dos nomes estará à altura da disputa e se tudo transcorrerá da forma pretendida pelo alto clero ao lado do presidente. Até porque esta semana surgiram rumores fortes de que o ex-juiz Sérgio Moro poderia se lançar na disputa.

Resta saber se o ex-juiz e ex-ministro conseguirá não apenas reunir apoiadores ao seu lado, mas enfrentar a resistência e a tática de guerrilha das redes sociais que tanto o atacaram durante o episódio de sua saída da Justiça, algo que na política brasileira nem sempre acontece, especialmente quando se tem uma disputa tão incerta quanto a próxima.