Reestruturação

Ontem, na abertura do mês de julho, uma verdadeira tropa de choque do Executivo compareceu à sessão da Comissão de Trabalho, Administração e Serviços Públicos que se reuniu para deliberar a respeito do projeto de reestruturação administrativa proposta pela atual gestão e que pretende acabar com secretarias importantes. Na visão do gestor municipal o objetivo é tornar mais moderno e ágil o serviço público, como fosse somente distribuir funções gratificadas ou então criar nomenclaturas suficiente para mudar determinados comportamentos muito mais culturais que necessariamente técnicos.

Durante o encontro de ontem, ao menos, assumiu-se não ser a economia a preocupação. A frase do chefe de Gabinete Márcio Pena Borges resume o que pretende a atual gestão: “Deixamos de economizar para ampliar e qualificar o serviço público”, disse Peninha aos vereadores que integram a Comissão. Também foi muito claro o recado aos integrantes do Legislativo: o prefeito Beto Lunitti e sua tropa de choque não aceitam modificações na proposta. É tudo ou nada, num tom de autoritarismo como há tempos não se via em mensagens encaminhadas ao Legislativo, como fosse um poder submisso ao outro.

É justa a defesa dessa reestruturação que na prática extingue serviços essenciais, como o atendimento especializado à mulher. Dizer que esse atendimento será absorvido pela estrutura geral da administração é brincar com a inteligência alheia, afinal, mulheres vítimas de violência já estão numa situação fragilizada e precisam de um atendimento diferenciado e não serem atiradas numa fila comum.

E o que dizer de se levar a Comunicação Social para dentro do Gabinete do Prefeito? É um desrespeito para com um setor ativo dentro do município, sem mencionar o risco de se ferir o princípio básico da impessoalidade na gestão pública, algo que já vem sendo feito com o slogan adotado desde o início por esta gestão e só não enxerga isso quem realmente não quer. Dói para quem é do setor ouvir a explicação dada ontem na Câmara que os servidores da pasta aceitaram “trocar o status pelo orçamento”. Simplório demais o argumento.

As mudanças administrativas propostas não trazem economia alguma, muito menos garantia de um serviço público mais eficaz, como se tudo feito até hoje em Toledo fosse arcaico e ultrapassado, algo que definitivamente não é.