Um novo ministro

Marcelo Queiroga é o quarto ministro da Saúde na gestão do presidente Jair Bolsonaro. Antes dele vieram Luiz Henrique Mendetta, Renato Teich e Eduardo Pazuello. Isso é mais de um ministro por ano de mandato e nada indica que este poderá ser o último, afinal, diante de tantas incertezas neste setor é bem provável que até o próximo ano haja outro nome. Essa troca constante revela algumas coisas de maneira bem transparente.

Primeiro que o presidente não gosta de dividir os holofotes, muito menos ser repreendido em público, haja vista ter trocado farpas com vários outros nomes de seu governo, alguns sumariamente demitidos ou trocados sem o menor pudor por parte do chefe. Essa impulsividade é uma marca registrada do presidente, entretanto, deveria ser controlada ainda mais quando se trata da saúde, onde parte da culpa dessa visão distorcida em relação à pandemia causada pelo novo coronavírus é fruto justamente do desmando federal sobre o assunto.

Segundo aspecto é que não existe uma política de governo para a saúde pública brasileira, pois, se houvesse, certamente não seriam realizadas tantas trocas. E não apenas do comando, mas de tudo que acontece junto à pasta do Ministério da Saúde.

O terceiro ponto é que o Brasil, sim, falhou e falhou feio em relação a tudo que envolve a Covid -19 desde a saída de Mandetta que, apesar de tudo, ainda conseguia dar um mínimo de norte à nação. Com sua saída se intensificou a guerra entre Bolsonaro e o governador paulista João Dória para saber quem vacinaria primeiro. A saída de Mandetta pôs por terra o pouco de sobriedade que ainda restava na saúde sobre um tema tão delicado.

Um novo ministro representa um recomeço em praticamente tudo, pois foram tantas as falhas de Pazuello que é quase impossível pensar em aproveitar algo da gestão recém destituída. Um novo ministro não representa, entretanto, segurança alguma, pois a pressão dos governadores sobre Bolsonaro cresce a cada novo dia diante da inércia do Governo Federal na compra das vacinas, episódio que deixou o país na rabeira entre aqueles que querem se livrar o quanto antes dessa pandemia, algo que o Brasil ainda está longe de fazer por esse rodízio no comando da pasta.