Uma Copa que não vale nada!

Depois de Colômbia e Argentina – por motivos distintos – desistirem de sediar a Copa América deste ano, eis que surge o Brasil varonil para ‘salvar a pátria de chuteiras’ e receber a Copa América. Tão logo o anúncio foi feito começou uma guerra nos bastidores por parte dos presidentes de Federações para abrigar uma das sedes da competição que, convenhamos, não vale absolutamente nada!

Enquanto na Colômbia os protestos por causa de uma reforma tributária deixou o país em frangalhos, na Argentina o aumento do número de casos do novo coronavírus fizeram um estrago ainda maior. Mas no país tropical tudo parece estar sob controle, afinal, não há mais pandemia, os hospitais estão vazios, a situação política, econômica e social anda às mil maravilhas, enfim, tudo são flores no jardim nacional não é mesmo?

Receber uma competição como essa neste momento é um escárnio contra o cidadão comum, que diariamente tem sofrido com os efeitos de uma doença que não dá trégua diante da irresponsabilidade com a qual ainda segue sendo tratada. Além dos atletas e dirigentes, quem mais se beneficia com uma competição onde sequer o público poderá acompanhar jogos modorrentos, até porque a cabeça dos atletas está nos milhões da Europa ou então nos mega contratos publicitários. Ah, a hipocrisia de um esporte que, um dia, foi interessante, mas que a cada novo dia dá mostras de hoje ser apenas um negócio. Lucrativo e suspeito em vários aspectos.

O Brasil deveria simplesmente agradecer o convite e recusá-lo. Motivos há mais que suficientes para justificar uma eventual negativa. Mas quando se analisa o histórico de uma entidade tão chafurdada em escândalos como é a CBF, não é de estranhar a Copa parar por aqui. Também não é de estranhar a Conmebol manter a competição enquanto o continente luta para sobreviver. Basta voltar um pouco no tempo para lembrar dos jogos interrompidos na Colômbia pelo gás lacrimogênio disparado contra manifestantes.

O futebol profissional poderia estar mais ligado às questões sociais que o cercam, entretanto, vale-se de uma doentia paixão de torcedores que ainda não perceberam que o ‘país do futebol’ é o mesmo do atraso crônico em seu desenvolvimento como nação e onde o cidadão prefere transferir aos ‘mitos’ a solução de problemas que poderia começar por si próprio.

O correto seria paralisar todas as competições oficiais no país e não apenas a Copa América, afinal, um a mais, um a menos, a essa altura do campeonato em nada muda o cenário catastrófico pelo qual o Brasil mais uma vez se encontra.