Merino assume presidência do Peru e promete manter eleições de 2021

O novo presidente do Peru, Manuel Merino (Ação Popular), assumiu o cargo nesta terça, 10, após a destituição de Martín Vizcarra por “incapacidade moral”, reconhecendo que o país atravessa uma crise política e afirmando que o processo de impeachment respeitou as regras da Constituição.

Em meio a manifestações contrárias à destituição, Vizcarra questionou a “legalidade e legitimidade” de Merino. “Estou preocupado, como muitos peruanos, porque uma autoridade para exercer seu poder precisa de dois princípios e condições básicas: legalidade e legitimidade.”

O Tribunal Constitucional aguarda a resolução de um processo em dezembro para definir o alcance da “incapacidade moral” que Vizcarra havia apresentado em setembro, quando Merino lançou o primeiro pedido de impeachment, que não passou no Parlamento.

Analistas acreditam que Merino assume a presidência em um momento delicado, com o aumento de casos da covid-19 e a crise econômica decorrente da pandemia, o que não deve fortalecer seu partido faltando cinco meses para as eleições gerais.

“Nosso primeiro compromisso é respeitar o processo eleitoral em curso. Ninguém pode mudar a data das eleições convocadas para 11 de abril de 2021”, disse Merino.

“Tenho a impressão de que foi um jogo político bastante audaz do ex-presidente e as forças políticas que aprovaram a destituição não se deram conta disso”, afirma o constitucionalista peruano Luciano López. “Dentro do jogo político, era conveniente para ele (Vizcarra) deixar o poder. Ele sai do foco de atenção. Agora, o Ação Popular toma o poder em um momento muito complicado.”

Com quase 33 milhões de habitantes, o Peru tem 923 mil infecções por coronavírus e cerca de 35 mil mortes, mas é o segundo país com a maior taxa de mortalidade do mundo por covid-19 em relação a sua população (105,9 por 100 mil habitantes), segundo a Universidade Johns Hopkins.

O professor de relações internacionais da Universidade de São Paulo (USP) Rafael Villa acredita que Merino terá dificuldades de governar por ser “um político do baixo clero”. “Ele tem pouca margem de manobra em relação a promover reformas mais profundas. Além disso, o fujimorismo o colocou no comando justamente para evitar essas reformas mais profundas.”

O impacto nas eleições existirá, segundo os analistas, mas ainda não é possível precisar como. “Dada a alta popularidade de Vizcarra, isso pode levar ao enfraquecimento das forças fujimoristas e seus aliados”, afirma Villa.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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