ONGs buscam elevar recebimento de doações em meio à crise econômica com pandemia

Muitas pessoas que dependiam da ajuda de ONGs ficaram desamparadas durante o ápice da pandemia do novo coronavírus, pois muitas instituições não conseguiram sobreviver. O Monitor de Doações, da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), demonstrou grande mobilização no início, ultrapassando o total de R$ 6 bilhões doados. Entretanto, a partir de junho, houve bastante desaceleração nas doações.

Para sobreviver à crise econômica, as organizações agora buscam aumentar recebimento de doações recorrentes. Manter uma escola para crianças de baixa renda sem ter uma previsão mensal de entrada e o tratamento para mulheres com câncer de mama, por exemplo, pode ser desafiador.

“Um dos nossos grandes desafios, além de estimular a cultura de doação, é incentivar a doação recorrente para garantir sustentabilidade às organizações”, afirma Mariana de Salles Oliveira, cofundadora da BSocial. A startup oferece a possibilidade de programar doações mensais na plataforma online, aproximando o doador (pessoa física ou jurídica) da causa, de modo transparente.

Na plataforma, é possível escolher a opção de doação recorrente com uma quantia mensal e os doadores recebem periodicamente relatórios de impacto referentes à organização escolhida. São 57 opções de Organizações da Sociedade Civil (OSC) divididas em dez tipos de causas: educação, crianças e jovens, idosos, saúde, meio ambiente, direitos humanos, esportes, animais, situações emergenciais e arte, cultura e patrimônio histórico.

“Doação recorrente é o que confere segurança à transformação social a que nos comprometemos”, ressalta Juliana Malheiro Plaster, diretora executiva do colégio Mão Amiga, voltado a crianças de baixa renda, com classes desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. “Não podemos contar com doações eventuais para definir a quantidade de vagas a oferecer ou realizar projetos”, diz.

A escola, que atende a 600 alunos, tem programa de apadrinhamento, com bolsas de estudo financiadas por doadores, além de um fundo com patrocinadores. Juliana explica que só é possível equalizar receitas e despesas graças a essa recorrência. Com análise realizada por uma assistente social é definido o montante que cada família pagará de mensalidade, de acordo com a condição socioeconômica.

Atualmente, cerca de 60% da receita da Mão Amiga tem origem em doações recorrentes e 40% eventuais. Para Cristina Assumpção, diretora executiva do Instituto Protea, a doação mensal permite ter previsibilidade no orçamento. Ela conta que, quando a pandemia começou, o instituto tinha dinheiro em caixa para trabalhar, mas as iniciativas voltaram-se para aumentar as doações recorrentes.

Em 2019, os valores mensais somavam cerca de 80% do total, com 20% de recorrência. Este ano inverteu, com quase 80% do montante tendo origem em doações mensais. “Vimos muitas ONGs, que dependiam de eventos, em desespero. Conseguimos manter o trabalho por ter reserva e uma base de 220 doadores mensais, com crescimento mês a mês”, acrescenta.

O instituto ajuda a custear tratamento de mulheres de baixa renda com câncer de mama em hospitais filantrópicos, aumentando a capacidade das unidades em atender mais pacientes. “Pagamos exames, cirurgias, quimioterapia e radioterapia, além de médicos e materiais necessários para os tratamentos”, enfatiza Cristina. A meta é aumentar a base de doadores mensais. “Aceitamos doações recorrentes a partir de R$ 10 por mês. A ajuda mensal para nós, que tratamos pacientes todos os meses, é essencial”, conclui.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *