De bike, amigos percorrem mais de 900 km e conhecem as belezas do PR e SC

Até onde você iria de bicicleta? Eles viajaram por sete dias, percorreram mais de 900 km e conheceram nove municípios do Paraná. Tudo sobre duas rodas, no projeto batizado como “TransParaná de Bike”. Um pedal para apreciar a natureza, reafirmar a amizade, ter boas conversas e viver momentos agradáveis. Até onde uma bicicleta pode levar alguém?

Onze amigos saíram de Cruzeiro do Oeste, município localizado na região Noroeste do Estado, por volta das 5h30 do dia 13 de março. Os ciclistas passaram por Mamborê e Roncador. Enfrentaram as serras e o clima agradável de Pitanga. Conheceram a maior beleza natural em Prudentópolis, trata-se do Salto São Francisco, uma queda livre de 196 metros. Seguiram para Lapa, Morretes até finalizar o passeio na praia de Itapoá, em Santa Catarina. Foram setes dias de adrenalina, superação, felicidade, companheirismo e qualidade de vida.

̘ O Santo de São Francisco atraiu a atenção dos ciclistas – Foto: Divulgação

De Toledo, dois ciclistas decidiram viver essa aventura. Ademir Klein, 52 anos, funcionário público federal, pedala há nove anos e é um apaixonado pelo mundo do ciclismo. Davi Franco Saraiva Arlindo, 25 anos, vendedor de peças para carro automotivo, pedala há três anos e busca superar-se a cada novo pedal. Os ciclistas integram Miojo Bikers e Team Refit Avenida (TRA), equipes tradicionais na cidade e com atletas que apresentam bons resultados em provas.

O ciclista Ademir Klein afirma que o pedal foi maravilhoso. “Tive a oportunidade de conhecer novos locais e apreciar lindas paisagens. Muitas cachoeiras com belezas indescritíveis”, comenta o participante ao recordar que já desceu a serra pela rodovia, mas fazer o trajeto pela mata é algo diferente. “O desafio é pedalar por vários dias em solos e condições climáticas diferentes. Aguentar esse esforço significa superar-se”.

Na região de Pitanga a Prudentópolis, o ganho de elevação chegou a 3.000 metros acumulados. Por sua vez, o ganho de elevação total no passeio foi de 12.880 metros. Klein conta que semelhante a magnitude do TransParaná Bike ainda não havia participado. “Conversei com o organizador deste passeio e ele aceitou a minha participação”. Klein também já percorreu as estradas do Caminho da Fé, no interior de São Paulo em direção a cidade de Aparecida. São 550 km e uma região bem procurada pelos ciclistas.

Foto: Divulgação

APOIO – Companheirismo é a palavra mais importante para um grupo que decide realizar esse tipo de pedal e o ciclista revela que a união esteve presente durante todos os dias do passeio. “Às vezes em um dia um parceiro não estava bem; no outro dia alguém tinha problema mecânico na bike. O importante foi manter a união, o desejo de superar-se e assim todos pedalaram juntos”.

O ciclista Klein admite que estava com receio de não conseguir acompanhar o grupo por tantos dias consecutivos de pedais. “O meu corpo correspondeu bem. Aprendi que é preciso ter atitude para enfrentar a dificuldade e ter o controle mental para dosar a força e manter a persistência. É preciso pensar ‘amanhã é outro dia e o amanhecer será melhor’”, destaca o ciclista ao comentar que pedala em média 200 km por semana e estava com um bom condicionamento físico. “No ano passado, fiz uma média de 11.200 km. Além disso, tenho acompanhamento médico e frequento com regularidade a academia”.

NOVAS EXPERIÊNCIAS – Davi era o ciclista mais jovem do grupo. Segundo ele, quando soube que o Ademir Klein participaria deste passeio também quis participar. “Consegui tirar férias, conversei com a minha família e participei desta aventura”. Ele e Klein já percorreram 300 km em único dia. “A base do pedal é a amizade e, por isso, em muitos dias, o cronograma para o dia foi alterado em respeito a cada participante. Tínhamos horários pré-estabelecidos para as refeições, contudo, elas não se cumpriam”.

Davi lembra que 90% do pedal foi realizado em estrada de chão. “Pedalamos em rodovia para nos deslocarmos de um ponto ao outro. Enfrentamos temperaturas quentes, ventos e chuvas, estradas com pedras e areia. Em contrapartida, contemplamos as belezas naturais dos estados do Paraná e Santa Catarina”.

Semelhante a Klein, o ciclista também destaca a região entre Roncador e Pitanga. “O trecho era em um mato fechado. O clima era agradável; com um ar mais fresco. No entanto, as serras eram inclinadas”. Para Davi, o ciclopasseio foi a viagem de suas férias. “Fiz novas amizades. São profissionais de diversas áreas, cada um com o seu conhecimento, mas em comum, o amor pela bike. São pessoas com mais experiências em pedais longos”.

O COMEÇO – O idealizador do ciclopasseio é de Cruzeiro do Oeste. O ciclista Cocão disse que não adiantaria escrever o seu nome, pois a turma do pedal o conhece desta forma. Conforme o aventureiro, a ideia da viagem surgiu a partir do TransParaná de Jeep. “Eu sempre gostei de aventura. O meu amigo percorreu um trajeto de Jeep. Depois, eu o convidei para percorrer de bike e ele topou”.

̘ Ademir e Davi são ciclistas de Toledo e decidiram se aventurar neste passeio – Foto: Divulgação

Cocão também já participou de trilhas com motos. “Decidi parar de andar com moto e comecei a pedalar em 2011. Fui até Roncador pedalando pela primeira vez para visitar os meus amigos motociclistas. Gostei da experiência e não parei mais de pedalar”.

A primeira viagem aconteceu em 2014. Foram 560 km de Cruzeiro do Oeste até Curitiba. Daquele ano até 2021, novos passeios foram organizados e sempre com uma nova rota, com lugares e paisagens diferentes. O grupo já visitou Maringá, Icaraíma, Diamante do Oeste, Foz do Iguaçu, Porto Rico, Paranavaí e quase toda a região do Noroeste. “Podem participar do passeio ciclistas com coragem. Não existe inscrição. Cada ciclista é responsável pela sua despesa. A divisão acontece somente com os gastos com o carro de apoio”, comenta Cocão.

Ele revela que é responsável pela idealização da rota. “O trajeto é pensado por mim. Às vezes, um amigo pede para passar na cidade dele e o caminho é alterado”, menciona o ciclista ao destacar que é feliz com esse pedal. Para 2022, Cocão garante novas surpresas. E como dizia Albert Einsten “a vida é como andar de bicicleta. Para ter equilíbrio, você tem que se manter em movimento”.

Da Redação

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