Bolsas da Europa mantém tendência de alta após vacina; mercado de olho em Lagarde

As bolsas da Europa trilham para mais uma manhã de alta, a terceira da semana, estendendo o rali positivo – embora mais limitado – por conta da vacina contra a covid-19, enquanto o temor quanto ao impacto econômico da segunda onda é ofuscado. Diante da trégua da safra de balanços no front corporativo, os investidores monitoram uma série de discursos dos membros do Banco Central Europeu (BCE), incluindo a chefe da autoridade monetária, Christine Lagarde.

Às 6h40 (de Brasília), o Stoxx-600, que representa 90% das ações europeias, tinha alta de 0,55%, aos 386,58 pontos. Com o empurrão da vacina, o índice pan-europeu tenta alcançar o maior nível em nove meses, onde estava antes de a pandemia condicioná-lo a um percurso de baixas.

A onda de apetite de risco transportada da vitória de Joe Biden nas eleições dos Estados Unidos para a notícia de que a vacina da Pfizer e BioNTech tem eficácia de mais de 90% segue apoiando os mercados. Os futuros de Nova York sobem enquanto as bolsas na Ásia fecharam em direções mistas, com a tecnologia em destaque, após projeto antimonopólio, reforçando o ataque global de reguladores contra as big techs.

Para o analista-chefe do dinamarquês Danske Bank, Arne Lohmann Rasmussen, os mercados devem seguir no “mais do mesmo” – e isso pode se arrastar por semanas, mas não em “linha reta”, uma vez que ainda existem muitas questões não resolvidas em relação à vacina. “Os mercados também podem começar a se preocupar com a possibilidade de os bancos centrais se tornarem menos ansiosos para fornecer estímulos”, observa, em comentário a clientes.

Não é à toa que as atenções nesta quarta-feira estão voltadas ao BCE. A presidente da autoridade monetária da Europa, Christine Lagarde, participa de evento do próprio órgão, às 10h de Brasília. Na sequência, outros membros do BCE também discursam e concentram a atenção dos investidores.

Nos Estados Unidos, o presidente eleito Joe Biden está focado na transição enquanto o rival Donald Trump ainda não aceitou a perda. A diretora do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) Lael Brainard é uma das principais cotadas para assumir a secretaria do Tesouro no governo democrata, o que agrada o mercado. Por falar no azul, essa será a cor predominante na Câmara dos Representantes, embora com uma maioria menor, como analistas já previam.

De volta à Europa, na renda fixa, o juro do bônus alemão (Bund) de 10 anos atingiu máximas em dois meses nesta quarta-feira, aqui também com um empurrão do noticiário favorável em torno de uma vacina contra a covid-19, que tem apoiado títulos globais. Por volta das 6h40, o rendimento do título subia a -0,478%, de -0,482% no fechamento de ontem. Mais cedo, foi a -0,460%, no patamar mais elevado em dois meses.

“Este otimismo também foi ajudado por notícias ontem de que os negociadores da União Europeia concordaram em um orçamento de 1,8 trilhão de euros, um passo crucial para ativar o pacote de recuperação do bloco”, observa o holandês Rabobank.

No cenário corporativo, as ações do banco ABN AMRO, com sede em Amsterdã, amargam perdas de 4%, mesmo após resultados acima do esperado no terceiro trimestre – ainda assim o lucro caiu 46%, para 301 milhões de euros. Também no vermelho, os papéis da Continental AG, fabricante de pneus e peças automotivas alemã, cediam 3,7%, com notícias de gastos de reestruturação no quarto trimestre.

Também às 6h40, nos mercados acionários da Europa, o FTSE 100, de Londres, subia 0,43%, e o DAX, de Frankfurt, e o CAC 40, de Paris, tinham altas de 0,36% e 0,31%, nesta ordem. Na bolsa de Milão, o índice FTSE MIB registrava ganho de 0,23% e o IBEX 35, de Madri, de 0,03%. Já o PSI 20, de Lisboa, apontava valorização de 0,20%.

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