FGV: IPC-S deve subir 0,6% em junho e projeção para 2021 vai de 4,60% a 5,30%

Os combustíveis (0,13 ponto porcentual) e a energia elétrica (0,07 ponto) responderam pela maior parte do avanço surpreendente do Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) entre a terceira quadrissemana de maio (0,66%) e o fechamento do mês (0,81%), segundo o coordenador do índice na Fundação Getulio Vargas (FGV), Paulo Picchetti, que projetava número ao redor de 0,60% para o resultado de maio. Em abril, o índice subiu 0,23%.

Em junho, a perspectiva é de arrefecimento em combustíveis, conforme apontam as pesquisa mais recentes (ponta) em patamar negativo, mas de maior pressão em energia elétrica devido ao acionamento da bandeira vermelha 2, a mais cara do sistema, que deve impactar o índice em 0,20 ponto porcentual, nas contas de Picchetti. A projeção para este mês é de 0,60%.

“É uma desaceleração frente a maio, mas ainda uma taxa elevada para o critério de alcançar a meta de inflação”, diz, referindo-se ao objetivo para o IPCA neste ano, que é de centro de 3,75% e teto de 5,25%.

Com a surpresa de maio, o risco hídrico elevando preços de energia e podendo afetar também o de alimentos, e perspectiva de retomada mais forte da economia, o coordenador elevou a projeção para o IPC-S de 2021 de 4,60% para 5,30%.

“O IPC-S atingiu 7,98% em 12 meses até maio, praticamente 8,0%. Se for confirmada a previsão de 0,60% em junho, o acumulado em 12 meses deve ser de 8,24%, o pico do ano. Mas dada a projeção de 5,30% para o fechamento de 2021, ainda que seja um número elevado, vai estar em trajetória de desaceleração”, diz.

“O Banco Central já está reagindo a isso, mas dado a defasagem da política monetária, é mais para 2022. Essa reação do BC já é uma sinalização muito boa. Já está atento e reagindo de forma bem acentuada dadas as decisões passadas e o que sinalizou de ajuste pela frente, o que tem produzido um impacto positivo sobre o câmbio”, completa

Segundo Picchetti, o núcleo do IPC-S de maio, que subiu de 0,37% para 0,40%, alcançando 3,25% em 12 meses, e o índice de difusão, que atingiu 69,03%, o maior desde janeiro, mostram que não há só vilões na inflação, como energia e combustíveis, mas dispersão do choque para outros preços.