Monitor do PIB aponta alta de 0,6% em outubro ante setembro, diz FGV

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou 0,6% em outubro ante setembro, segundo o Monitor do PIB, apurado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Na comparação com outubro de 2019, a economia teve redução de 2,7% em outubro de 2020.

“O forte crescimento de 7,7% da economia brasileira no 3º trimestre, reverteu, em parte, a forte retração de 9,7% registrada no 2º trimestre deste ano. No entanto, este crescimento não teve continuidade em outubro, que apresenta a menor taxa mensal desde a forte retração de abril. A tendência da economia parece ser retomar às incipientes taxas mensais do início do ano, pré-pandemia”, avaliou Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV, em nota oficial.

O Monitor do PIB antecipa a tendência do principal índice da economia a partir das mesmas fontes de dados e metodologia empregadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial das Contas Nacionais.

Na passagem de setembro para outubro, pelo lado da oferta, a agropecuária caiu 0,1%, a indústria avançou 0,3%, e os serviços cresceram 0,5%.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a agropecuária recuou 1,2% em outubro, a indústria subiu 0,2%, e os serviços tiveram uma queda de 3,6%.

Sob a ótica da demanda, o consumo do governo caiu 5,0% em outubro ante outubro do ano anterior.

O consumo das famílias recuou 3,0% em outubro de 2020 ante outubro de 2019, sendo que o consumo de serviços caiu 6,2% no período, e o de bens semiduráveis recuou 3,3%. O consumo de bens não duráveis cresceu 1,4%, enquanto o de bens duráveis subiu 0,9%.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB) caiu 1,0% em outubro deste ano ante outubro do ano passado, com ligeira alta de 0,1% no componente máquinas e equipamentos, mas queda de 0,4% na construção. O componente chamado de outros ativos recuou 5,5%.

As exportações recuaram 9,5% em outubro ante outubro de 2019, e as importações encolheram 25,4%.

“Registre-se que o setor de serviços ainda apresenta grande resistência à recuperação com grande influência das atividades de transportes, de administração pública, e particularmente de outros serviços, que pesa quase 15% do PIB. Estes resultados são reflexo do fraco desempenho dos dois principais componentes da demanda: o consumo das famílias e a formação bruta de capital fixo. Mesmo com a flexibilização das medidas de isolamento e pequena melhora dos setores de alojamento, alimentação, serviços prestados às famílias, educação e saúde, o crescimento observado ainda é insuficiente para trazer o consumo para o plano positivo. Produtos não duráveis e duráveis consumidos pelas famílias foram favorecidos pelo auxilio emergencial e pelo comércio virtual, mas serviços continuam travando a economia”, ressaltou Claudio Considera.

Em termos monetários, o PIB alcançou aproximadamente R$ 6,1 trilhões de janeiro a outubro, em valores correntes. A taxa de investimento em outubro de 2020 foi de 17,0% na série a valores correntes.