Projeto da UFFS leva contação de histórias de forma bilíngue para Cmeis de Realeza

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Uma das maneiras mais antigas de difusão do conhecimento e de valores é a linguagem oral. No contexto das artes e da educação, o ato de ouvir e contar histórias é uma importante prática pedagógica contribuindo para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social, especialmente, para as crianças. A prática da contação de histórias é o foco do projeto de extensão desenvolvido pelo Centro de Ensino de Línguas (CeLUFFS) da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Realeza.

O Grupo Cuentacuentos busca mediar a leitura de maneira bilíngue, contando histórias nas línguas portuguesa e espanhola. Os livros selecionados estimulam o contato com o folclore brasileiro, bem como apresenta a cultura dos demais países que compõem a América Latina. “A contação de histórias é um bom recurso para a aproximação com uma nova língua porque, justamente, não está centrada no aprendizado do idioma, mas sim na oportunidade de experienciar um universo ficcional em uma língua que não a materna”, explicou a professora Naiane Carolina Menta Tres, coordenadora do projeto.

As contações de histórias do grupo Cuentacuentos estão ocorrendo nos Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis) de Realeza. Os primeiros a receber a visita do grupo foram os Cmeis Pequeno Anjo e Pingo de Gente e, no dia 28 de novembro, será a vez do Criança Feliz. “Para o próximo ano a ideia é visitar escolas do ensino fundamental da região e, até mesmo, convidar escolas para que visitem o nosso laboratório de formação de leitores na UFFS”, detalhou Naiane.

Os livros escolhidos para a interação com as crianças foram o “Monstro rosa” e o “Monstro azul”, da escritora espanhola Olga de Dios. O conto infantil “Monstro rosa” ganhou vários prêmios na Espanha e a nível internacional, tornando-se em pouco tempo um bestseller. As histórias são contadas pelas acadêmicas do curso de Letras – Português e Espanhol Sara Gabriela Novak Bottega e Fátima Petrazzini Grubler. A contação abusa de estímulos para dar vida aos personagens e as narrativas. Expressões faciais, entonação de voz, movimentos corporais, fantasias e brincadeiras ajudam a manter a atenção das crianças e criam um ambiente mais participativo.

A experiência positiva da contação de histórias pode ser uma aliada para despertar o interesse pela aprendizagem da língua espanhola, conforme defendeu a professora Naiane. “Em se tratando de anos iniciais, o contato com a língua espanhola ou com obras de origem dos países que falam espanhol servem como uma aproximação ao idioma. Além disso, ao ter contato com outra língua, a criança poderá passar a compreender que não existe apenas o idioma que ela fala e passará a sensibilizar-se com sons específicos do novo idioma de contato”, completou.

Estímulo

A contação de histórias vai muito além de simplesmente narrar eventos, é uma prática que envolve o uso da linguagem de maneira criativa, permitindo estimular capacidades comunicativas e sociais dos ouvintes. Isso é bastante comum na rotina pedagógica do Cmei Pingo de Gente, disse a diretora do local, professora Tamilys Caroline Christmann da Cunha Weizemann. “É algo de extrema importância, por isso está introduzido no dia a dia das crianças, desde o berçário até o maternal dois. Incentiva a leitura, desenvolve a fala das crianças e o pensamento crítico. A criança pode dar a sua visão, a sua opinião, concordar ou discordar do que o colega também entendeu. Isso ajuda muito as crianças para que no futuro elas tenham o prazer da leitura e consigam ser capazes de realizar as atividades na escola e na vida”, detalhou.

As acadêmicas do curso de Letras – Português e Espanhol Sara e Fátima sabem muito bem como as crianças ficam depois de ouvirem uma boa história. Ambas relataram ver a alegria, o entusiasmo, a conversa, além de ser um momento divertido. “É muito gratificante estar com as crianças numa contação, isso acaba trazendo alegria para a gente e para as crianças ao mesmo tempo”, comentou Sara e Fátima complementou “as crianças necessitam desse olhar, a imaginação. É algo que, para elas, enriquece o poder de ver as coisas, como é o mundo”.

A interação entre os Cmeis e a Universidade é outro ponto importante destacado por Tamilys, a experiência agrega na formação dos estudantes de graduação e possibilita a troca de experiências entre professores. “Assim elas [acadêmicas] têm uma noção de como é uma vivência dentro de uma sala de aula, percebendo como as coisas funcionam aqui no Cmei, na escola já é de outra forma, identifico-me trabalhando com uma idade ou com a outra. Para nós, também é algo muito bacana, porque elas têm uma outra visão, trazem novas ideias para dentro deste espaço de ensino”, ressaltou.

Para a professora da UFFS Naiane Carolina Menta Tres o processo de produção para uma boa contação de história passa pela escolha do público, além de acreditar no desenvolvimento leitor, independentemente da idade. “A primeira proposta do grupo Cuentacuentos está ocorrendo com o público infantil, uma faixa etária em que as portas estão abertas para o mundo fantástico da literatura. Para pensarmos no público infantil, aprofundamo-nos teoricamente na área da sociologia da leitura e nos aspectos que definem o público-alvo, além de passarmos por etapas de escolha da obra literária e de planejamento para a contação da história, o que, sem dúvidas, promoverá o enriquecimento do perfil leitor/mediador dos acadêmicos do curso de Letras”, salientou.

Da Assessoria de Comunicação | UFFS – Campus Realeza

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