Britânica que teve problema no coração comemora presença no futebol em Tóquio

“Feliz, sortuda e orgulhosa.” É assim que a atacante do Chelsea, Fran Kirby, se sente depois de superar um problema no coração e garantir um lugar no time de futebol da Grã-Bretanha para os Jogos Olímpicos de Tóquio. No final de 2019, a jogadora de 28 anos foi diagnostica com uma condição cardíaca que a deixou ‘presa’ no sofá por dois meses e andando como um ‘zumbi’, segundo ela.

Dificuldades para falar, subir escadas ou fazer qualquer atividade física eram parte da rotina de Kirby, que tinha certeza que não competiria na Olimpíada se ela fosse realizada no ano passado. A pandemia do coronavírus causou o adiamento do evento, oferecendo uma chance improvável.

A pericardite, ou inflamação do pericárdio, que afetava a jogadora demorou mais cinco meses para deixar de ser um problema. Assim, Kirby voltou a jogar e ajudou o Chelsea a vencer a FA Women’s Super League e a Copa Continental. As Blues também chegaram à final da Liga dos Campeões, mas perderam para o Barcelona.

Ao final da temporada, a britânica recebeu dois prêmios individuais e não esperava ser incluída na lista de jogadores que vão para Tóquio. “Eu sabia que eu não estava em uma posição para ser selecionada para as Olimpíadas, e eu nunca pensei nisso naquele tempo porque eu estava basicamente começando do zero”, disse Kirby à BBC Sport.

Brilhando ao lado da australiana Sam Kerr, Kirby marcou 25 gols pelo Chelsea na temporada. Quando recebeu o e-mail da seleção britânica, ela ficou surpresa, mas orgulhosa ao mesmo tempo: “Todo o trabalho duro que você fez valeu a pena, porque você fará parte de algo que é incrível.”

A atacante contou da relação que tem com a família e de como suas tias ficaram orgulhosas com sua conquista. “Quando eu contei a elas, elas ficaram ‘é claro que você foi selecionada’. Essa é simplesmente sua família, não é mesmo? Eles sempre acreditam que você é a melhor”, disse.

Aos 14 anos, Kirby perdeu sua mãe, que sofreu uma hemorragia cerebral. Com isso, ela iniciou um forte laço com suas tias, que estiveram com ela em todo momento, inclusive três anos mais tarde, quando a adolescente deixou o Reading, seu primeiro clube. Mas como era um desejo de sua mãe que ela tivesse sucesso como profissional, ela voltou e começou a quebrar recordes. Marcou seu primeiro gol pela seleção inglesa aos 20 e deixou sua marca na Copa do Mundo em sua estreia em 2015.

Embora não possa viajar com sua família para o Japão, a atleta não pensa que isso afetará o brilho nos Jogos Olímpicos. “É o maior evento esportivo do mundo. Sei que será difícil para nós, porque nossas famílias não poderão vir e assistir, mas tenho certeza de que ficarão grudadas nas TVs em casa e serão feitas parte do evento pelo time da Grã-Bretanha.”