Das vaquejadas ao vôlei de praia, Álvaro Filho representará o Brasil em Tóquio

“Alvinho”. Esse foi o apelido escolhido para distinguir Álvaro Magliano de Morais Filho de seu pai, que também se chama Álvaro. Além do nome, o filho herdou de seu genitor duas paixões: a vaquejada e o vôlei de praia. A primeira teve que ser abandonada. De tantos tombos que levou, sua mãe, Patrícia, assustada, “proibiu” o garoto de dar continuidade a tradição nordestina de derrubar bois com cavalos.

A segunda, por outro lado, ele pôde dar sequência. A permissão e o estímulo dos pais em um esporte menos violento, fez com que Álvaro se tornasse um dos melhores jogadores de vôlei de praia do Brasil. A vaquejada ficou em seu sangue. Hoje, ela é representada pelo chapéu de couro que ele usa sempre que sobe nos pódios.

O paraibano forma dupla com o veterano Alison Cerutti – ouro no Rio-2016 e prata em Londres-2012 – há pouco mais de um ano. Nesse período, eles conquistaram a classificação para os Jogos de Tóquio-2020. Ambos encerraram o Circuito Mundial na primeira colocação no ranking nacional e em terceiro no ranking mundial. Mas a trajetória até a vaga olímpica não foi fácil. Quarenta e três posições foram conquistadas pela dupla brasileira, que entrou no circuito em 46.º lugar.

“Foi uma trajetória de superação”, avaliou Álvaro, em entrevista ao Estadão. “Acredito que até hoje não tenha surgido em nossa modalidade, no Brasil, uma dupla que tenha se classificado nessas condições”, acrescentou. No ditado popular, Álvaro e Alison “deram liga”. Segundo Alvinho, ambos possuem muito em comum, dentro e fora das quadras. “Ele é um bloqueador nato. Joga pela esquerda. Eu sou defensor e atuo pela direita. Só isso já é meio caminho andado”, ponderou o atleta.

“Vivemos um momento muito parecido fora das quadras também. Além de termos casado no mesmo ano, ele está prestes a ser pai. Eu me tornei há poucos meses. Meu filho, Dom, nasceu em outubro. Hoje o que mais converso com Alison é sobre fraldas”, contou o jogador, aos risos.

Como visto, o laço paterno influenciou a vida de Álvaro. É por causa do pai, que o levava para jogar vôlei nas areias de João Pessoa, que ele chegou neste patamar. O atleta revelou que o esporte também fará parte da vida de seu filho, mas sem pressão. “O esporte traz muitas qualidades. Te ensina a ganhar e perder. Quero estimulá-lo a jogar, mas não como uma obrigação. Se ele quiser seguir outra profissão, que assim seja. O importante é fazer com amor e ser feliz”, avaliou o jogador.

Classificada, a meta da dupla brasileira agora é outra: o ouro olímpico. “É nosso sonho. Nosso objetivo máximo”, revelou Álvaro, que para atingir a nova ambição se inspira na dupla Ricardo e Emanuel, que juntos conquistaram a medalha de ouro nos Jogos de Atenas, em 2004. “Eles são minha referência”.