Estratégia de dirigentes de contratar influenciadores digitais não é unanimidade

A chegada de influenciadores para participar de times de futebol está longe de ser uma ideia unânime. Se nos departamentos de marketing as contratações representam o sucesso de projetos de divulgação, quem atua no futebol como profissional demonstra contrariedade.

A opinião mais contundente sobre influenciadores digitais veio do ex-meia Zico. Durante uma transmissão em seu canal no YouTube, o ídolo do Flamengo criticou a chegada de Cartolouco ao Resende. “A que ponto nós chegamos no Carioca”, comentou.

Ex-goleiro e atual presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo (Sapesp), Rinaldo Martorelli é outro crítico dessa ideia. “Contratar um influenciador desvaloriza o futebol, porque traz ao time alguém por causa do número de seguidores e não pela formação como atleta. Eu acho ruim essa proposta para o futebol. Mostra um desleixo”, disse.

Para especialistas em marketing, a aposta em celebridades da internet é muitas vezes a única chance de clubes menores conseguirem repercussão. “Hoje você não precisa necessariamente ter seu jogo transmitido na TV aberta para fazer barulho. ‘Viralizar’ na rede pode ser muito melhor”, afirmou Thiago Barros, gerente de conteúdo da Feng, empresa especializada em engajamento de torcedores.

Com mais de 20 anos de experiência no marketing esportivo, Renê Salviano afirma que os influenciadores têm conhecimento até para orientar os clubes sobre vídeos e redes sociais. “Eles (influenciadores) possuem experiência comprovada em geração de conteúdo e podem criar em conjunto com o clube inúmeros projetos”, disse.

Segundo o especialista em marketing esportivo Marcelo Palaia, a vinda de celebridades se justifica. “Toda a repercussão e engajamento na internet é importante para as marcas. Isso é algo que mobiliza as pessoas e o nome dos clubes passa a estar em evidência”.