Novas regras de transferências na Inglaterra entram em vigor no dia 1º com Brexit

Quatro anos e meio após o referendo sobre o Brexit, a Premier League terá de se adaptar a partir do dia 1.° de janeiro às novas regras em termos de transferências de jogadores, justamente em um momento em que o peso dos atletas estrangeiros no Campeonato Inglês só tem crescido. Com a saída definitiva do Reino Unido da União Europeia, jogadores que não nasceram na ilha precisarão obter uma autorização de trabalho especial, atribuída com base em um sistema de pontos baseado em sua experiência internacional, o nível de seu clube de origem e seus resultados.

É esperada que a reforma no sistema de imigração provoque forte impacto no Campeonato Inglês e dificulte a contratação de novos jogadores brasileiros. Atualmente, o País tem 25 jogadores na Premier League, com destaque para Alisson, Roberto Firmino e Fabinho (todos do Liverpool), Richarlison (Everton), Gabriel Jesus e Ederson (ambos do Manchester City), Thiago Silva (Chelsea) e Willian (Arsenal). Mas também há vários jogadores em clubes de menor expressão, a exemplo do lateral-esquerdo Marçal (Wolverhampton) e os atacantes Raphinha (Leeds United), Joelinton (Newcastle) e Wesley Moraes (Aston Villa).

Este novo sistema afetará especialmente as equipes menores que costumam comprar jogadores em ascensão no exterior. “Sem dúvida, olharemos mais para o mercado britânico do que para outro lugar. Será difícil trazer jogadores de fora”, reconheceu o técnico do Celtic, Neil Lennon.

Os clubes britânicos também não poderão contratar jogadores menores de idade. Não serão mais vistos jogadores como o espanhol Cesc Fábregas e o francês Paul Pogba, aos 16 anos. Outra mudança é que o número de atletas estrangeiros de 18 a 21 anos que uma equipe poderá contratar será limitado a seis por ano. Assim, uma importante fonte de renda regular vai desaparecer em alguns clubes. As vendas de Brahim Diaz, Pablo Maffeo e Rony Lopes renderam ao Manchester City cerca de 40 milhões de euros (cerca de R$ 240 milhões) nos últimos anos, apesar de terem disputado menos de 30 partidas, somando os três.

Por causa do Brexit, nos últimos anos os clubes ingleses já começaram a redirecionar seus olheiros de jovens para os talentos locais. Embora isso possa vir a ter efeitos positivos na seleção nacional, dando aos jovens britânicos mais exposição – pelo menos é o que a Associação de Futebol da Inglaterra (FA, na sigla em inglês) espera -, será mais difícil para clubes modestos manterem seus jovens mais promissores.

Outro movimento acentuado nas últimas temporadas é que alguns clubes criaram verdadeiras holdings que controlam times em vários países e continentes. O exemplo mais claro é o Manchester City Group, uma organização tentacular com filiais na Índia, China, Japão, Austrália, França, Uruguai e Estados Unidos.