Robinho tentou impedir conversa de amigo com vítima, diz transcrição

O atacante Robinho tentou impedir uma conversa entre um amigo seu e a mulher que o acusa de estupro na Itália, segundo transcrições telefônicas que foram anexadas ao processo. O jogador foi condenado em segunda instância na semana passada por um tribunal italiano, mas os advogados já afirmaram que vão recorrer da decisão.

“Agora a questão é o seguinte, mané. A questão é que o [amigo 2] ficou trocando maior ideia com a mina, a mina foi pelo Facebook pegou todo mundo, pegou tu, eu falei: ‘Como que a mina sabe, como que o cara sabia o nome de vocês?'”, diz Robinho, num dos trechos da transcrição, segundo o portal UOL.

O amigo, cujo nome foi omitido por não estar sendo processado, respondeu: “Que isso cara, então alguém que deu, e foi o [amigo 2].” O atacante, então, afirmou: “É, eu quero falar com o [amigo 2], mano, pro [amigo 2] sacar bagulho de Facebook porque os caras estão investigando e não é brincadeira, não.”

Em outro trecho do áudio transcrito, Robinho reitera o pedido para que seus amigos evitem conversar com a vítima. “Eu falei ‘Cara! Se esse bagulho sair na imprensa vai me foder’, aí, resumindo, falou que perguntou de você, falou que tinha seu nome, seu telefone, porque o [amigo 2] ficou falando com a mina pelo telef… pelo Facebook mano…”

E o amigo respondeu: “Mas, mas, Neguinho, […] ainda falei pro [amigo 2] ‘mano, esquece isso aí’, quer ficar batendo papo”. O atacante, por sua vez, respondeu: “Exato. Mas então eu quero tentar falar com ele, mas eu não consigo falar com ele, eu preciso […]”

ENTENDA O CASO – De acordo com as investigações, Robinho e cinco amigos teriam estuprado uma jovem albanesa em um camarim da boate milanesa Sio Café, onde ela comemorava seu aniversário. O caso aconteceu em 22 de janeiro de 2013, quando o atleta defendia o Milan. O atleta foi condenado em primeira instância em dezembro de 2017. Os outros suspeitos deixaram a Itália ao longo da investigação, e por isso a participação deles no ato é alvo de outro processo.

Os advogados de Robinho afirmam que o atleta não cometeu o crime do qual é acusado e alegam que houve um “equívoco de interpretação” em relação a conversas interceptadas com autorização judicial, pois alguns diálogos não teriam sido traduzidos de forma correta para o idioma italiano.

Na semana passada, Robinho foi condenado em segunda instância, pelo Tribunal de Apelo de Milão, que manteve a pena de nove anos de prisão. O jogador, contudo, continua em liberdade porque sua defesa vai recorrer ao julgamento em terceiro grau, que pode levar alguns meses para ocorrer. Robinho tem a presunção de inocência assegurada até o trânsito em julgado do processo, isto é, até que as fases de apelação se esgotem.

A repercussão negativa sobre o caso de estupro fez com que Robinho tivesse a contratação suspensa pelo Santos em outubro. Robinho foi anunciado como reforço pelo clube da Vila com vínculo por cinco meses e salário de R$ 1,5 mil, mais bônus de R$ 300 mil de acordo com o número de jogos disputados. Porém, a pressão de patrocinadores e a divulgação de conversas sobre o caso provocaram forte repercussão, e o clube optou por suspender o contrato do jogador. O presidente Orlando Rollo disse que não via problema em ter Robinho no elenco caso ele fosse absolvido das acusações de estupro.