Confiança do industrial permanece na área de otimismo em janeiro

Com uma leve oscilação nos últimos três meses, a confiança do industrial paranaense continua em alta, mesmo diante das incertezas na economia. Em janeiro, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) chegou a 65,1 pontos, na área de otimismo, que é acima dos 50 pontos. O valor ficou abaixo do registrado em dezembro (67,6) e em janeiro de 2020 (68,9), mas acima da média de todo o ano passado, que foi de 57,4. Os dados fazem parte da pesquisa mensal divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).

O que pode ter influenciado a variação nos números, segundo o economista da Fiep, Evânio Felippe, é o avanço da pandemia no estado e as incertezas com relação ao futuro da economia este ano. Em janeiro do ano passado ainda não havia crise sanitária. Prevalecia um maior otimismo em torno de uma possível aprovação das reformas no Congresso Nacional. “Já este ano, a retomada da atividade econômica tem um desafio maior. Está atrelada ao ritmo de imunização da população contra a Covid 19. Quanto mais rápida for a vacinação em massa da população brasileira, tende a ser mais acelerado também o ritmo de crescimento da atividade econômica e um maior otimismo do empresário”, justifica.

Outro ponto importante que tem impacto na confiança do industrial é o fim dos programas de auxílio do Governo Federal às empresas e famílias, concedidos desde o início da pandemia até dezembro do ano passado. As empresas puderam reduzir salários e jornadas e até obter crédito de forma facilitada para equilibrarem seu caixa no período mais crítico. E as famílias receberam o auxílio emergencial que ajudou a garantir uma relativa continuidade na atividade de consumo. “O fim dos programas, ainda sem previsão de serem estendidos este ano, tende a estabelecer maior cautela das pessoas com relação às compras, prioridade na escolha de produtos e redução de gastos, impactando toda a cadeia produtiva”, avalia o economista.

O ICEI de janeiro, em 65,1 pontos, é formado pelo o indicador de condições, que avalia os negócios e a economia nos últimos seis meses, e pelo de expectativas, mesma avaliação para o futuro. O primeiro ficou em 60,7 pontos e o segundo chegou a 67,3. O resultado aponta que ambos estão melhores do que a média registrada no primeiro semestre de 2020, mas um pouco abaixo dos de janeiro do ano passado, antes da crise sanitária. “A melhora destes resultados nos próximos meses vai depender do andamento das votações em Brasília, das reformas tributária e administrativa, e também, de uma possível retomada da “normalidade” no mercado de trabalho formal e na economia, com o avanço da vacinação no Brasil”, reforça Felippe.

Outro ponto importante que pode influenciar a confiança do industrial ao longo deste primeiro semestre é o fim do auxílio financeiro do Governo Federal às empresas e famílias. “A não continuidade destes programas pode dificultar a retomada mais veloz da economia à normalidade”, avisa.

SONDAGEM INDUSTRIAL – A pesquisa junto aos industriais pode ter sido influenciada pelos resultados da Sondagem Industrial mensal realizada pela CNI. Os resultados de dezembro mostram   que quase 75% das empresas que participaram do estudo preveem estabilidade de empregos nos próximos seis meses. Quase 23% acreditam em aumento de vagas. “Diante do cenário de pandemia e de incertezas na economia, esse dado é um bom sinal sobre o desempenho futuro da atividade produtiva no estado”, comenta.

Em relação ao volume de produção das indústrias, 49% declararam estabilidade e 18% aumento. Já o nível de utilização da capacidade instalada, ficou igual ao usual para o mês para 44% das entrevistadas. Já para 26% ficou acima e para quase 8% bem acima, o que é um bom sinal.

O acesso ao crédito foi normal 33% das empresas pesquisadas. Já 23% tiveram dificuldade e, 26%, responderam não terem buscado recursos no último trimestre de 2020. Mesmo assim, 21% confirmaram que farão investimentos nos próximos seis meses. Trinta e oito por cento acham provável que farão, enquanto 31% não devem investir no período. Só 10% não devem investir.

A escassez e o alto custo da matéria-prima para produção foram citados por 77% dos entrevistados como uma das principais dificuldades do momento. A alta carga tributária foi a queixa de 33%. Já a alta taxa de câmbio, desvalorização do real frente ao dólar, foi a reclamação de 21% dos empresários.

CURITIBA