Confrontos entre polícia israelense e palestinos deixam 184 feridos

Pelo menos 178 palestinos e 6 policiais israelenses ficaram feridos nesta sexta-feira, 7, em confrontos na Esplanada das Mesquitas, onde fica a Mesquita de Al-Aqsa – o terceiro lugar mais sagrado do Islã em Jerusalém -, segundo as equipes de socorro.

A Cidade Santa vive dias de tensão em razão das manifestações de palestinos, que protestam contra os planos de expulsar quatro famílias palestinas do Bairro de Sheikh Jarrah, em benefício de colonos israelenses. Horas antes dos confrontos, a polícia israelense matou dois jovens palestinos e feriu gravemente um terceiro depois que abriram fogo contra um posto de controle militar no norte da Cisjordânia.

Os Estados Unidos pediram a Israel que reduza as tensões nos territórios ocupados e evite a adoção de medidas unilaterais, como “expulsões, demolição de casas de palestinos e criação de assentamentos judaicos”. “Estamos profundamente preocupados”, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Jalina Porter.

A Esplanada das Mesquitas estava lotada por ser o último dia do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos. Segundo a polícia israelense, centenas de pessoas lançaram pedras, garrafas e outros objetos contra os agentes, que responderam ao ataque.

Uma autoridade da Al-Aqsa pediu calma no complexo por meio dos alto-falantes da mesquita. “A polícia deve parar imediatamente de atirar bombas de efeito moral contra os fiéis, e os jovens devem se acalmar e ficar quietos!”

As manifestações contra a expulsão de quatro famílias palestinas têm ocorrido diariamente ao entardecer. No início do ano, o tribunal do distrito de Jerusalém determinou em favor das famílias judaicas que reivindicam a propriedade das terras onde foram construídas as casas das famílias palestinas no Bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental.

Segundo a lei israelense, se os judeus podem provar que sua família vivia em Jerusalém Oriental antes da Guerra Árabe-israelense de 1948, podem pedir a restituição de seus “direitos de propriedade”, uma legislação contestada pelos palestinos.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse que “responsabiliza (Israel) pelos desenvolvimentos perigosos e ataques pecaminosos que ocorrem na cidade sagrada” e pediu ao Conselho de Segurança da ONU para realizar uma sessão urgente sobre o assunto.

A Esplanada das Mesquitas está localizada logo acima do Muro das Lamentações, local de oração mais importante para os judeus.

Embora a tensão seja comum naquela parte da Cidade Velha de Jerusalém, não costuma haver violência dentro da Esplanada, que geralmente é monitorada à distância pela polícia israelense.

Mas como esta sexta-feira é o último dia do mês de jejum do Ramadã, uma grande multidão de muçulmanos se reuniu no local.

Tiro contra militares

No incidente no norte da Cisjordânia, “três terroristas atiraram na direção da base da guarda de fronteira em Salem”, uma cidade palestina perto da cidade de Jenin, afirmou a polícia em um comunicado.

As forças de segurança responderam com o uso de armas de fogo. Dois dos três agressores morreram, segundo fontes médicas. O terceiro está internado em um hospital israelense em “estado crítico”, disse a polícia.

A identidade dos agressores não foi revelada, nem pelas autoridades israelenses, nem pelo Ministério da Saúde palestino, que confirmou a morte de dois “cidadãos”.

Na quarta-feira, um jovem israelense morreu ferido por tiros de um palestino dias antes na Cisjordânia. No mesmo dia, um adolescente palestino de 16 anos foi morto por tiros do Exército israelense, segundo fontes palestinas. (Com agências internacionais)