Indústria: uma importante geradora de renda para a economia

Um setor forte e diversificado. Quarto maior parque fabril do país, a indústria paranaense é responsável por 26,1% de todas as riquezas geradas no Estado. São mais de 50 mil indústrias, que garantem diretamente o sustento de mais de 760 mil trabalhadores e suas famílias, de acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).

Nesta terça-feira (25) é celebrado o Dia Nacional da Indústria, o setor que é conhecido pela tecnologia e inovação. O setor que gera riquezas, transforma, contrata serviços de outras indústrias de prestadores de serviços, gerando sempre mais empregos. Desde março de 2020, a indústria tem se reinventado e se adaptado frente aos desafios da pandemia da Covid-19.

O presidente do Sistema Fiep, Carlos Valter Martins Pedro, comenta que neste período a indústria mostra sua capacidade para se adaptar diante de várias restrições e para suprir a demanda por itens essenciais para toda a sociedade e, principalmente, para a área de saúde. “E mais do que simplesmente sobreviver, o setor consegue aumentar, significativamente, seu nível de emprego mesmo durante esta crise, mostrando sua relevância para o equilíbrio econômico e social do Estado”.

Martins Pedro destaca que em 2020, a indústria foi o segmento que mais criou empregos formais no Paraná, com 24.799 novos postos de trabalho, respondendo por quase metade das vagas geradas no Estado no ano. Um desempenho que vem se mantendo em 2021. No primeiro trimestre deste ano, já foram acumuladas mais 24.327 novas contratações pelo setor, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged).

“Mesmo em meio a uma das piores crises vividas pelo Brasil nos últimos tempos e sofrendo com os altos custos de produção no país, a indústria vem dando uma resposta extremamente positiva. Isso mostra que o setor precisa ser mais valorizado, com uma política industrial que dê mais competitividade aos nossos produtos e possibilite novos investimentos, que contribuirão para a geração de ainda mais empregos e renda”, complementa o presidente.

POTENCIAL – No cenário estadual, o município de Toledo se destaca principalmente pelo potencial para criar empregos de qualidade. Para o presidente da Fiep, a indústria é uma importante geradora de renda para a economia local, movimentando inclusive outros setores. “O caso de Toledo é um exemplo. Na cidade são mais de 1,1 mil empresas, que geram mais de 20 mil empregos na cidade. Trata-se de um polo ainda bastante marcado pela indústria alimentícia, mas que apresenta bom nível de diversificação nos últimos anos, com destaque também para outros setores que contribuem com empregos e renda para o município, como o farmacêutico e o de produtos têxteis e de confecção, entre outros”, esclarece Carlos Valter Martins Pedro.

DESTAQUE – O município de Toledo está entre os dez mais industrializados do Paraná. O economista e professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus Toledo, Jandir Ferrera de Lima cita que o setor tem uma tendência a expansão porque conseguiu aliar a produção agropecuária diversificada com suínos, aves e tilápias e a produção de grãos com a transformação agroindustrial. Ou seja, o município montou uma importante cadeia produtiva agroindustrial.

“De um lado temos a produção de ração, a nutrição animal; temos a conversão da proteína vegetal em proteína animal por meio dos criatórios das aves e suínos e peixes, e dos frigoríficos que temos na cidade; temos a produção de insumos para a produção agropecuária, o que fortalece ainda mais a cadeia produtiva; e ainda há o setor metal mecânico que produz equipamentos e estrutura para os aviários e as granjas. Nesse sentido, o município conseguiu aliar o potencial da produção agropecuária com a transformação industrial”.

CRESCIMENTO – Apesar da produção da agroindústria, o município avança para outro sentido com conteúdo mais tecnológico. Lima pontua que a produção de fármacos que está em franca expansão além de outras estruturaras industriais que pouco a pouco começam a surgir no município. “Por exemplo a produção de bioquímicos, a produção de carros elétricos, que é uma realidade pujante no município. Cada vez mais Toledo começa a diversificar a sua base produtiva industrial o que coloca o município como potencial dentro do estado Paraná”, pontua o economista.

GARGALOS – Apesar de pujança, Jandir Ferrera de Lima lembra que há gargalos no desenvolvimento industrial do município de Toledo. O primeiro está relacionado aos espaços industriais que estão muito próximos da área urbana. O segundo é mão de obra qualificada. “Temos um problema sério de falta de mão de obra qualificada para atender a expansão do parque industrial”.

O economista ainda cita o posicionamento do município frente as novas logísticas que vem ocorrendo na região, como a chegada da ferrovia, o avanço dos terminais aeroportuários, entre outros que podem colocar o município numa posição de destaque”, conclui.

Sistema Fiep

O Sistema Fiep mantém importantes estruturas em Toledo para prestar apoio à indústria do setor, tanto na capacitação de mão de obra, por meio do Senai, quanto com serviços na área de saúde e segurança do trabalhador, por meio do Sesi. O Sistema Fiep também oferta diversas ações educacionais voltadas para a comunidade em geral. Um dos destaques é o Instituto Senai de Tecnologia em Alimentos, que apoia indústrias da região e de todo o Paraná na implantação de novas tecnologias ou de melhorias em seus processos produtivos. Além disso, em parceria com os sindicatos industriais instalados em Toledo, o Sistema desenvolve ações na defesa dos interesses das empresas do setor na cidade e na região.

Custo Brasil

Em decorrência das restrições ainda causadas pela pandemia, o Sistema Fiep optou por eventos virtuais para marcar o Dia da Indústria. Na última quinta-feira (20) foi realizado um debate sobre o Custo Brasil, um tema importante para a competitividade do setor industrial do país. Esse evento teve a participação do industrial Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho Superior do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e de Jorge Lima, secretário de Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação do Ministério da Economia. Em parceria, o MBC e o Ministério desenvolvem um projeto sobre o tema, que chegou à conclusão de que, por ano, o setor produtivo nacional tem gastos adicionais de R$ 1,5 trilhão, quando se comparam as condições de produção no país com as de outras nações industrializadas. A iniciativa, que conta com apoio do Fiep, já tem apresentado projetos concretos com potencial de redução do Custo Brasil, mas boa parte deles depende de aprovação pelo Congresso Nacional.

Da Redação

TOLEDO