No comércio popular, aglomeração

Depois de três dias na fase vermelha do plano de combate à covid-19, os centros comerciais da cidade de São Paulo retomaram ontem suas atividades, com ruas cheias, lojas sem totem de álcool em gel e muita gente com máscara no queixo. Entre as desculpas de quem saiu de casa para enfrentar lugares como o Brás e a região da 25 de Março, no centro de São Paulo, estava principalmente a necessidade de trocar presentes de Natal.

Ao redor do Largo da Concórdia, no Brás, a segunda-feira parecia um dia normal de uma vida pré-covid. Apesar de um movimento menor do que o visto durante a semana do Natal, as ruas da região estavam bem movimentadas. “Não estou me sentindo segura, mas precisava vir para comprar algumas coisas e trocar uns presentes”, disse a cabeleireira Edijane Gomes, de 46 anos. “Achava que após o Natal seria tranquilo, mas me enganei.”

A ilusão de que o pós-Natal seria de mais tranquilidade não enganou apenas Edijane. A dona de casa Deise Alves Souza, 34 anos, também apostou em um Brás vazio. “Cheguei cedo, no primeiro dia de abertura, pensei que não teria atropelo. Me enganei, troquei os presentes e já estou indo embora.”

Amiga de Deise, Priscila Fernandes, de 29 anos, disse ter decidido enfrentar o Brás por um motivo inadiável. “Precisava comprar algumas coisas para o meu casamento. Eu caso esta semana e precisava vir aqui de qualquer jeito”, revelou.

Assim como parte dos consumidores, lojistas também relaxaram nas medidas de proteção. Na região central, as lojas que gabaritam nos quesitos de controle de entrada dos clientes, medição de temperatura e oferta de álcool em gel (ao menos de forma visível) podem ser contadas nos dedos das mãos.

O mais comum é nenhum controle na entrada. Ter totens de álcool em gel é uma prática das lojas maiores (ou redes). Nas menores, eles não são encontrados ou estão quebrados. A medição de temperatura também é raridade. Mas o que chama mais a atenção são os “laçadores” – os profissionais que ficam nas portas das lojas anunciando ofertas e convencendo potenciais clientes a entrarem. Os “laçadores” continuam não usando máscara porque, segundo eles, elas atrapalham o trabalho.

De acordo com atendentes de lojas que preferiram não se identificar, o movimento observado ontem era esperado – e não diferiu do registrado no mesmo período em outros anos. Sobre os cuidados com a pandemia, a resposta mais comum citava o uso da máscara e muita oração.

25 de Março

Na região da 25 de Março, o cenário era parecido. O movimento nas lojas e ao redor dos ambulantes foi intenso. Rogério Silva, de 32 anos, deu “graças a Deus” pela retomada do movimento e dos negócios. “Rezo pela vacina, mas, enquanto ela não vem, preciso trabalhar.” Para ele, a preocupação com a covid já não é a mesma entre os ambulantes. “Quase não se vende mais álcool em gel ou máscara por aqui.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.