Parque Nacional da Amazônia e Tapajós são oferecidos à adoção privada

Algumas das florestas protegidas mais importantes para a biodiversidade da Amazônia entraram na lista do programa “Adote 1 Parque”, do Ministério do Meio Ambiente, que prevê o patrocínio privado para a manutenção de unidades de conservação.

Na lista das 132 florestas protegidas que hoje são monitoradas pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) foram incluídas unidades de extrema relevância nacional, como o Parque Nacional da Amazônia, criado em 1974 e que ocupa uma área de 1,066 milhão de hectares entre o Amazonas e o Pará.

O Parque Nacional Montanhas Tumucumaque, no Amapá, que faz fronteira com o Guiana Francesa e o Suriname, também entrou na relação. Com seus 3,865 milhões de hectares, é a maior unidade de conservação oferecida à iniciativa privada.

Outras unidades de extrema relevância estão na lista, como a Floresta Nacional do Tapajós, no Pará, com 2,040 milhões de hectares, e o Parque Nacional do Pico da Neblina (AM), com 2,252 milhões de hectares.

Pelo plano, o patrocínio ajuda a bancar custos de fiscalização das unidades, que continuam a ser gerenciadas pelo ICMBio. Nos últimos anos, o órgão ligado ao MMA viu seu orçamento ser completamente estrangulado, faltando recursos para necessidades básicas ao seu funcionamento. O governo quer, inclusive, fundir sua estrutura com o Ibama, sob o argumento de que vai reduzir custos e burocracia.

Nesta terça-feira, 2, em São Paulo, a empresa do mercado financeiro Genial, do Banco Plural, assina um termo de adesão com a presença do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para patrocinar ações em 3,180 mil hectares da Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais, localizada no Amazonas.

No mês passado, o Carrefour anunciou que vai patrocinar uma reserva extrativista. A reserva Lago do Cuniã, que está localizada no bioma Amazônia, tem área total de 75,8 mil hectares.

O recurso repassado pelo Carrefour deve ser usado em medidas de proteção e fiscalização dessa área. Em troca, a empresa pode fazer ações de publicidade sobre o projeto que ajuda a proteger.

A lista das 132 unidades foi publicada nesta segunda-feira, 1, no Diário Oficial da União. No total, segundo o governo, os parques ocupam 15% do bioma, totalizando 63,6 milhões de hectares. Pelas regras, pessoas físicas e empresas nacionais que participarem do programa deverão doar um valor inicial de R$ 50 por hectare. No caso de empresas ou personalidades estrangeiras, o valor será de 10 euros por hectare. A adoção tem prazo de um ano, podendo ser renovada por até cinco anos.