SP, 9 de julho: Mogi planeja memorial com único avião que sobrou dos ‘gaviões’

A prefeitura de Mogi Mirim está negociando com a Fundação Santos Dumont a criação de um memorial para expor uma relíquia da Revolução de 32. Trata-se do único avião que sobrou da esquadrilha dos “Gaviões de Penacho”, como eram conhecidos os aviões paulistas que travaram combates com a força aérea federal durante a revolução.

O Waco CSO “verdinho” foi cedido pela fundação ao Museu da TAM, que está fechado ao público desde 2016. O acervo, incluindo o avião constitucionalista, está guardado em um galpão da empresa em São Carlos.

O plano é montar o memorial no antigo Aeroclube de Mogi, onde se deu um dos episódios marcantes da revolução – o bombardeio do campo de aviação inimigo, com a destruição de cinco “vermelhinhos”, os aviões federais. Isso aconteceu após Mogi Mirim ser tomada pelas tropas legalistas que invadiram São Paulo pelo front leste. Em represália, a esquadrilha federal bombardeou Campinas. Da aviação federal da época também restou um único exemplar, um Waco exposto no Museu da Aeronáutica do Rio de Janeiro.

De acordo com o diretor do Conselho Municipal de Turismo de Mogi, Sebastião Zoli Junior, a ideia é aproveitar um hangar do antigo Aero Clube. “O plano é expor o avião ao lado do acervo que já temos sobre a Revolução de 32, como peças de artilharia, bombas, uniformes e algumas armas”, disse. O hangar está hoje ocupado pelo Corpo de Bombeiros.

O memorial passará integrar o circuito turístico da Revolução de 32 que inclui, ainda, a estação ferroviária, onde passava o trem blindado dos paulistas – inaugurada em 1875 por D. Pedro II. Também faz parte do circuito o bunker de 32, um abrigo subterrâneo usado como refúgio e depósito de munição.

Foi o turismólogo da prefeitura de Mogi, Ed Alípio, quem encontrou o último dos “Gaviões”. O avião é do mesmo modelo daqueles que participaram do ataque aos federais em 20 de setembro. Ele está pintado na cor que tornou conhecidos os ‘verdinhos’ paulistas. O Waco CSO era equipado com metralhadora e porta-bombas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.