Exterior

Atirador de festival na Califórnia tinha 19 anos e postou fotos antes de ataque

Um atirador invadiu uma feira gastronômica na Califórnia, no oeste dos Estados Unidos, e matou três pessoas com um rifle, além de ter deixado pelo menos 12 feridos no domingo, 28, informou a polícia local nesta segunda-feira, 29. A informação anterior era de que havia 15 feridos do ataque. O autor dos disparos foi morto pela polícia.

O criminoso era um adolescente de 19 anos, segundo informações da imprensa local, dadas por fontes da investigação. Ele foi identificado como Santino William Legan, residente da cidade de Gilroy. Ele publicou imagens do festival em suas redes sociais momentos antes de realizar o ataque.

Em duas publicações em sua conta do Instagram, onde ele mesmo se define como italiano e iraniano, Legan escreveu comentários de desprezo em relação ao festival, acusando a organização da venda de produtos ruins "a preços excessivos". Ele também definiu os visitantes do evento como "grupos de mestiços e brancos estúpidos do Vale do Silício".

Além do criminoso, somente uma segunda vítima foi identificada. O pai de um menino de seis anos, Alberto Romero, confirmou a morte do filho ao canal local de TV NBC Bay Area.

Agentes localizaram o autor dos disparos e atiraram contra ele "em menos de um minuto", disse Scot Smithee, chefe da polícia de Gilroy, onde a feira era realizada. A polícia informou que procura um possível segundo suspeito. "Acreditamos, com base nas declarações de testemunhas, que uma segunda pessoa esteve envolvida, mas não sabemos até que ponto", afirmou a repórteres.

Nas imagens do canal de notícias NBC, pessoas aparecem correndo enquanto tiros são ouvidos. A emissora falou com uma testemunha, Julissa Contreras, que afirmou que um homem branco havia aberto fogo com um fuzil. "Eu o vi atirando em todas as direções. Ele não estava mirando em ninguém especificamente. Estava indo da esquerda para a direita e da direita para a esquerda", disse ela.

"Os corações do Departamento de Polícia de Gilroy e toda a comunidade estão com as vítimas do tiroteio de hoje na feira Garlic", escreveu a polícia no Twitter.

Em coletiva de imprensa nesta segunda, o presidente dos EUA, Donald Trump, definiu o autor dos disparos como um "assassino perverso" e pediu aos presentes na Casa Branca que rezassem pelas vítimas. "Nós reafirmamos nosso objetivo nacional de responder à violência com coragem, determinação e como uma única família americana. Seguiremos trabalhando juntos para deter o mal, a violência e garantir a segurança de todos os americanos", afirmou.

A feira contava com um forte esquema de segurança, incluindo detectores de metais e a revista dos pertences de visitantes, explicou o chefe de polícia. Para poder entrar na feira com o fuzil, Legan cortou uma cerca de proteção e, ao entrar no evento, disparou de forma indiscriminada.

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, qualificou o episódio como "nada menos que terrível". A senadora democrata Kamala Harris afirmou que os EUA têm "uma epidemia de violência armada que não pode ser tolerada".

Gilroy é uma cidade majoritariamente rural, de 50 mil habitantes, e fica a 130 quilômetros de São Francisco, no litoral do estado da Califórnia. Autoproclamada "a capital mundial do alho", é a principal produtora do condimento nos EUA e todos os anos, durante o verão, recebe a feira de gastronomia Garlic de Gilroy, em homenagem ao alimento.

O evento inclui apresentações de grupos musicais e competições culinárias, além de lugares para comer e beber com variados tipos de refeições feitas com alho. Cada ano recebe cerca de 100 mil pessoas nos três dias de evento, segundo os organizadores.

Momentos de desespero

O jornal Mercury News indicou que o tiroteio ocorreu quando a feira estava terminando. O funcionário da feira Shawn Viaggi se jogou no chão depois de ouvir tiros. "Eu disse: 'Esta é uma arma de verdade, temos que sair daqui' e nos escondemos debaixo do palco", afirmou à publicação.

Evenny Reyes, de 13 anos, relatou ao Mercury News: "Estávamos saindo e vimos um sujeito com uma bandana amarrada na perna porque havia levado um tiro. E havia pessoas no chão, chorando". "Havia um garotinho ferido no chão. As pessoas jogavam mesas e cortavam cercas para sair", acrescentou.

Os tiroteios são comuns nos EUA, mas, apesar da magnitude do problema relacionado à violência armada, poucos esforços têm sido feitos para abordar essa questão com leis em nível federal. (Com agências internacionais)