Toledo

Bebê de dois meses luta contra coqueluche

“Para as pessoas que aderiram ao movimento antivacina, eu peço que repensem esses conceitos, pois, vivemos em sociedade e doenças que estavam controladas e até extintas estão voltando por falta de conscientização em relação às vacinas”.
A pequena luta para superar as crises de tosse e vencer a doença (Foto: Arquivo pessoal)

A coqueluche é uma doença infecciosa aguda e transmissível. Ela compromete especificamente o aparelho respiratório - traqueia e brônquios - e tem como característica a tosse seca. Quando atinge bebês pode apresentar complicações e levar à morte. Parece uma enfermidade distante, mas ela está presente e tem causado preocupação.

A confeiteira Monica Tiemi Roncheti é mãe da pequena Larrisa Yumi. A bebê tem apenas dois meses de idade. Com 30 dias de vida, ela passou a apresentar os primeiros sintomas. “Começou uma tosse bem levinha, esporádica. Como minha sogra é enfermeira e meu marido é farmacêutico, não ficamos esperando piorar e já procuramos orientação médica”.

Monica relata que, após cinco dias, a tosse se agravou e a filha ficava sem respirar por alguns segundos. Ela conta que com as crises a bebê chegava a ficar ‘vermelha azulada’ e foi enfraquecendo.

“Levamos ela ao pediatra e tivemos o diagnóstico clínico. Os exames laboratoriais deram inconsistentes, pois foi feito o uso de antibióticos antes das coletas, pois iniciamos o tratamento imediatamente. Contudo, a tosse comprida que é o ‘apelido’ da coqueluche, na maioria das vezes, só com o exame clínico já é o suficiente para um diagnóstico conclusivo”, explica a mãe.

 

TRATAMENTO

O tratamento foi à base de antibióticos para combater as bactérias. Foram dez dias de uso do medicamento. Além disso, ela precisou fazer inalação com broncodilatador. Para auxiliar nas crises após os períodos de falta de ar, a família providenciou um cilindro de oxigênio. O aleitamento materno também foi fundamental.

“O início das tosses ocorreu no dia 22 de setembro. Começamos o tratamento dia 28. Vivemos momentos terríveis, de muita tosse, ciclos de paradas respiratórias e vômitos, porém sem febre. É uma doença pontual que segue uma sequência de estágios. Como ela foi diagnosticada no início e nossa família é ‘habituada’ em cuidar doentes, o médico recomendou que fizéssemos o tratamento em casa, sem receber visitas, pois, se ficássemos no hospital seria preciso isolar um quarto e ela corria o risco de contaminação de outras doenças”, relata Monica.

 

BATALHA

Com o tratamento sendo realizado em casa, a família tem dormindo na sala e fazendo revezamento para cuidar da pequena. A mãe comenta que as crises de tosses são assustadoras, pois acontecem muito rápido e a bebê, por instantes, para de respirar, fica vermelha, desfalece e às vezes tem vômito.

“É angustiante ver um ser tão frágil sofrer assim. É uma tosse diferente. Ela luta para tentar respirar e o ar não vem. Sabemos que todo o ciclo da doença dura em média 90 dias, claro que a intensidade irá diminuir, mas não vai cessar antes disso. Ela precisa de cuidados 24 horas. Toda vez que tem uma crise peço para que Deus me passe essa dor que ela sente. Não desejo isso para ninguém”, emociona-se.

 

VACINA

Durante o pré-natal, Monica foi imunizada como determina o Ministério da Saúde – a partir da 20ª semana de gestação é preciso fazer a vacina. Mesmo assim a doença atingiu Larissa Yumi antes dela receber a primeira dose. A confeiteira recorda que pediu que os familiares não fossem visitar a criança antes de um mês de vida, sempre cuidou para que as pessoas lavassem as mãos antes de pegá-la, mas, infelizmente, as medidas não foram suficientes.

“Para as pessoas que aderiram ao movimento antivacina, eu peço que repensem esses conceitos, pois, vivemos em sociedade e doenças que estavam controladas e até extintas estão voltando por falta de conscientização em relação às vacinas. Por causa de uma criança que o responsável não quis vacinar ou um adulto que não fez o reforço, uma criança inocente pode adoecer e até perder a vida”, lamenta.

 

VACINAR

Imunização é a forma de combater a doença

Dados da 20ª Regional de Saúde apontam que de janeiro a julho, foram registrados 20 casos de coqueluche, sendo 15 em Toledo. Contudo, do total, apenas seis foram confirmados por exames laboratoriais, sendo três em Toledo. A faixa etária mais atingida abrange crianças menores de um ano. A imunização é a recomendação para que a doença seja evitada.

“Dos casos confirmados com exame laboratorial, duas situações, que atingiram crianças menores de 12 meses, foram registradas em Toledo e uma em Palotina. Os demais casos envolveram crianças de 3 e 6 anos e adolescentes de 17”, relata a chefe da 20ª Regional de Saúde Nissandra Karsten.

A enfermeira do Departamento de Vigilância Epidemiológica de Toledo Rosana Cerbarro alerta que a imunização é a forma de combater a coqueluche, devido à circulação da bactéria. Ela explica que, desde 2014, o Calendário de Vacina acrescentou o item, em relação à doença, voltado à gestante. “A partir da 20ª semana de gestação a mulher precisa ser imunizada. Dessa forma, o bebê já nasce imunizado”. Rosana alerta que a doença é grave e geralmente o transmissor é a pessoa mais próxima do bebê, no caso: a mãe.

Após o nascimento, a imunização ocorre em três etapas. A primeira dose a criança recebe com 2 meses, depois com 4, 6, 15 meses e aos 4 anos. “Depois dos quatro anos só vai voltar a tomar a vacina se for mulher e engravidar ou se for profissional de saúde que atua em maternidades e em Unidades de Internação Neonatal (UTIs) Neonatal. A imunização deve ser realizada para que os casos da doença não se manifestem, visto que ela atinge principalmente crianças menores de um ano, aquelas que ainda não tiveram a oportunidade de serem vacinas, ou ainda não concluíram o processo”, alerta.