Economia

Bolsas da Europa fecham em baixa após dados fracos e ataques de Trump à China

As principais bolsas europeias fecharam com fortes perdas em geral nesta terça-feira, 30. Indicadores econômicos fracos na França e na zona do euro pesaram sobre os pregões, e as críticas dirigidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China trouxeram novas incertezas sobre o cenário do comércio internacional.

O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em queda de 1,47%, aos 385,12 pontos.

Trump voltou a adotar a retórica incisiva contra Pequim na manhã desta terça. Em sua conta no Twitter, o presidente acusou os chineses de "sempre mudar o acordo para o seu benefício", reiterou que o país asiático precisa de um acordo mais do que os EUA e afirmou que, caso seja reeleito em 2020, o acordo será "muito mais difícil" do que o negociado atualmente "ou nenhum".

Os comentários foram publicados em meio à rodada de negociações entre representantes americanos e chineses que ocorre em Xangai e levantaram dúvidas sobre a possibilidade de progresso das discussões. "O estilo de comunicação de Trump pode ser visto pelos chineses como desrespeitoso, o que aumenta a pressão sobre seus líderes para serem igualmente duros", avalia o analista-chefe de Comércio Internacional do ING Group, Raoul Leering.

No cenário doméstico, os mercados europeus foram frustrados pela leitura do índice de sentimento econômico na zona do euro, que recuou ao seu menor nível desde março de 2016. No setor manufatureiro, o registro foi o mais baixo desde julho de 2013.

Além disso, a libra renovou mínima histórica contra o dólar, repercutindo preocupações de que o Reino Unido deixe a União Europeia (UE) - o "Brexit" - no dia 31 de outubro sem acordo com o bloco econômico, como vem sendo ameaçado pelo premiê britânico, Boris Johnson. "Ninguém, incluindo provavelmente o próprio Boris, sabe até que distância do abismo ele dirigirá o carro do Reino Unido, ou mesmo se ele pretende parar", avalia o diretor-geral para Europa da Eurasia, Mujtaba Rahman.

Por outro lado, a libra fraca favoreceu exportadoras britânicas e a bolsa de Londres foi a que mais resistiu às baixas da sessão na Europa, com o índice FTSE 100 em baixa de 0,52%, para 7.646,77 pontos. Mesmo com perdas de empresas importantes, como Fresnillo (-17,75%) e EasyJet (-5,58%), os ganhos de outros nomes fortes como BP (+3,07%), Rio Tinto (+1,0%) e Unilever (+0,52%) contribuíram para conter a queda do índice. A Centrica (-19,0%) recuou após a distribuidora de gás divulgar balanço e anunciar corte no dividendo e a saída de seu executivo-chefe. O grupo bancário CYBG (-9,55%), também após publicar balanço.

Em Paris, o índice CAC 40 caiu 1,61% para 5.511,07 pontos, prejudicado pela leitura de desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) da França no segundo trimestre do ano ante o primeiro. Já o índice DAX da bolsa de Frankfurt sofreu retração de 2,18%, aos 12.147,24 pontos. Entre as quatro maiores economias da zona do euro, a Alemanha registrou o maior recuo do índice de sentimento econômico, caindo ao pior nível desde junho de 2013.

Na Itália, onde permanece a crise política interna da coalizão governamental, o índice FTSE MIB da bolsa de Milão caiu 1,99% para 21.278,24 pontos. O setor bancário sofreu forte impacto, com recuo do FinecoBank (-4,76%), BPER Banca (-3,91%), UniCredit (-3,23%) e UBI (-2,83%).

Também persistem os atritos políticos domésticos na Espanha, sob risco de eleições antecipadas se o primeiro-ministro Pedro Sánchez falhar em constituir um governo. O índice Ibex 35, da bolsa de Madri, recuou 2,48% para 8.986,60 pontos. A Siemens Gamesa (-17,65%) recuou após balanço que mostrou queda de mais de 50% no lucro líquido da empresa em seu terceiro trimestre fiscal, na comparação com igual período de 2018.

O índice PSI 20, da bolsa de Lisboa, fechou em queda de 2,05%, aos 5.029,67 pontos.

(Com informações da Dow Jones Newswires)