Economia

Bolsas de NY fecham em baixa, na pior semana do S&P 500 e do Nasdaq em 2019

As bolsas de Nova York fecharam no negativo nesta sexta-feira, 2, com os índices S&P 500 e Nasdaq registrando sua pior queda semanal neste ano. Os mercados foram pressionados pelo anúncio de novas tarifas dos Estados Unidos sobre a China, e também repercutiram de forma mista o corte de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) nesta semana.

O índice Dow Jones recuou 0,37% para 26.485,01 pontos, enquanto o Nasdaq caiu 1,32% para 8.004,07 pontos e o S&P 500 cedeu 0,73% para 2.932,05 pontos, fechando abaixo dos 3 mil pontos pela terceira sessão consecutiva. Na variação semanal, as perdas foram de 2,60% do Dow Jones, 3,91% do Nasdaq e 3,10% do S&P 500.

O setor mais afetado pelas baixas desta sexta foi o de tecnologia, com recuo de 1,68% no S&P 500. Na lista de perdas figuram Facebook (-1,92%), atualmente alvo de uma investigação antitruste pelo governo; Apple (-2,12%), que tem grande parte de sua produção na China e é sensível às tarifas; e IBM (-2,04%), que projeta queda bilionária da receita no próximo trimestre, em meio a pressões para lucrar após a aquisição da empresa de softwares de código aberto Red Hat.

Chevron (-0,01%) e ExxonMobil (-0,98%) publicaram seus balanços nesta sexta-feira. A Chevron teve alta do lucro líquido no segundo trimestre do ano ante o mesmo período de 2018, mas registrou recuo na receita, enquanto a ExxonMobil observou redução do lucro líquido no mesmo período, mas o lucro por ação superou as previsões de analistas ouvidos pela FactSet. O subíndice de energia do S&P 500 teve queda de 1,35%.

Já a empresa de armazenamento de dados NetApp (-20,22%) liderou as quedas no S&P 500, após anunciar que suas vendas em 2019 virão bem abaixo das expectativas, culpando as incertezas no cenário global por um recuo nos gastos com consumo de tecnologia.

Por outro lado, o segmento de bens de primeira necessidade, que inclui produtores de alimentos, fechou em alta modesta de 0,12%. O presidente americano, Donald Trump, assinou um acordo com a União Europeia (UE) para facilitar a exportação de carne bovina americana.

Na tarde de sexta, Trump declarou que aplicará tarifas adicionais de 10% sobre US$ 300 bilhões de importações chinesas, com possibilidade de elevação até 25%, enquanto as tarifas anteriores continuarão em vigor. Trump justificou a medida dizendo que "o presidente Xi Jinping não está agindo rápido o bastante" com relação à promessa de compra de mais produtos agrícolas americanos.

O anúncio ocorreu um dia após o Fed cortar sua taxa de juros em 25 pontos-base, após críticas constantes de Trump à instituição por manter "juros elevados". A economista-chefe do Stifel, Lindsey Piegza, descreve a manobra como "conveniente", ressaltando que o presidente do Fed, Jerome Powell, havia declarado na quarta-feira que o impacto das tensões comerciais estava se amenizando.

Para o economista-chefe para EUA da Oxford Economics, Gregory Daco, "a administração de Trump está tentando matar dois coelhos com uma cajadada: chegar a um acordo com a China e forçar o Fed a cortar juros". Daco prevê as novas tarifas devem ser adiadas, mas "a persistente incerteza comercial e o momento doméstico mais lento" levarão o Fed a cortar juros novamente em setembro.

Analistas da LPL Research, por sua vez, apontam que a manobra de Trump não foi tão surpreendente, apesar do impacto nos mercados, uma vez que a China parece adotar uma estratégia de "adiamento" até as eleições presidenciais de 2020 nos EUA, em busca de uma posição vantajosa nas negociações.

O noticiário americano também teve como destaques o relatório oficial de criação de empregos (payroll), que veio um pouco abaixo das previsões, e a balança comercial dos EUA, que também teve recuo menos acentuado que as expectativas. / Com informações da Dow Jones Newswires.